O "Fórum das Regiões", defende uma Região Norte coincidente com a actual região-plano (CCDR-N) e um modelo de regionalização administrativa, tal como o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

O "Fórum das Regiões", considera a Regionalização o melhor modelo para o desenvolvimento de Portugal e para ultrapassar o crescente empobrecimento com que a Região Norte se depara.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Reza a História!

Reza a história, que há séculos atrás "o fisco" chegava a cavalo!

Há alguns séculos atrás, o Rei e a sua corte de nobres já estavam instalados em Lisboa (que raio de vício que se manteve até hoje!), onde viviam faustosamente, sem produzirem ou fazerem nada de útil. Viviam, tal como hoje, à custa do Povo.

Para poder manter aquela vida faustosa e manter a sua "quadrilha" à boa vida, tal como hoje, era necessário muito dinheiro. E por isso, frequentemente o Rei determinava ao seu "Ministro das Finanças", que pegasse no seu cavalo e protegido pelos soldados da corte, cavalgasse de aldeia em aldeia a recolher os impostos. Quem não tivesse dinheiro, pagava em géneros (pão, trigo, milho, animais, etc) e se nem isso tivessem, confiscavam-lhes as filhas para prazer do Rei.

Estes factos da história não vos faz lembrar nada? A mim faz. O atual Rei e a sua corte, também vivem em Lisboa, não produzem ou fazem nada de útil, vivem faustosamente à custa do Povo e também muito frequentemente dá ordens ao seu Ministro das Finanças para recolher os impostos.

Só que hoje em dia, ele não chega a cavalo, nem protegido por soldados, ele chega sob a forma de carta, via CTT e mesmo sob a forma de e-mail, via internet. De resto qual é a diferença?

José Henriques Soares

A propósito do Banco Fiel

As miúdas da minha geração sonhavam ser hospedeiras da TAP e os rapazes aspiravam a ser pilotos de avião. Eu sempre sonhei ser banqueiro. Nunca fiz segredo disso.

Sempre que passava pela esquina da Sampaio Bruno com a Sá da Bandeira e olhava de baixo para a imponência da sede do Banco Pinto de Magalhães sonhava acordado com a hipótese de um dia ser dono de um banco e ter os bolsos fundos para comprar não um mas dois ou três Cubillas e assim habilitar o meu Porto a interromper o longo jejum e voltar a ser campeão.

Sem falsas modéstias, acho que tenho o apelido ideal para ser banqueiro. Banco Fiel é uma marca seguramente melhor que Banco Mello ou Banco Pinto de Magalhães. E pelo menos tão boa como Banco Espírito Santo.

Crescer não me tirou o sonho da cabeça. Antes pelo contrário. Qualquer adulto destro a fazer contas de cabeça fica excitado pela desarmante simplicidade de um negócio como o bancário, que ainda é mais sexy que a Scarlett Johansson e a Charlize Theron juntas.

Ter as pessoas a fazerem fila para nos emprestarem dinheiro barato e depois emprestar esse dinheiro a um preço bem mais caro é um negócio de sonho.

Espertalhões, os banqueiros inventaram uma língua própria (vendas a descoberto, imparidades, carência de capital...), recheada de vocábulos em inglês (spread, warrant, yeld...), para nos convencer que a profissão de banqueiro só é acessível a um punhado de eleitos.

O negócio é tão bom e tão simples, que para abrir um banco e ser banqueiro é preciso uma autorização do Banco de Portugal, que foi concedida a João Rendeiro (Banco Privado) e a Oliveira Costa (BPN), mas está obviamente fora do alcance de alguém como eu que não sou imensamente rico, não milito num partido do arco governativo, não faço parte da Maçonaria ou da Opus Dei, nem sequer sou sócio do Benfica.

Pragmático como me orgulho de ser, há muito interiorizei que nunca serei banqueiro - nem sequer bancário, profissão bastante jeitosa, pois é a que menos sente os efeitos da crise, já que os que estão no activo continuam a ter 25 dias de férias e os reformados são os únicos a receberem 13º mês e subsídio de férias.

Depois de durante anos a fio terem apresentado lucros gordos e recordes, os bancos vão revelar resultados modestos na próxima 6.ª (com excepção do BPI, que os divulga na 5.ª), um dia judiciosamente escolhido para diluir o impacto negativo das notícias durante um fim-de-semana em que não há bolsa e os jornais económicos não saem.

Os banqueiros são os espertalhões, como está demonstrado pelo BCP, que fez uma chicotada psicológica e foi ao Santander contratar o André Villas-Boas da banca (o Mourinho está no Lloyd's) para anestesiar a dor dos prejuízos (fala-se em 600 milhões) que vai anunciar.

Os banqueiros são uns espertalhões, por isso não tenha pena deles. Faça antes como eu, que tenho inveja deles. E tenha pena de mim por não ter conseguido fundar o Banco Fiel

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A verdade do que se passa na Assembleia da República!

Fórum das Regiões: O problema é que o que é escrito a seguir não é mentira, é pura verdade! Coitados dos deputadas(os) e ministras(os), ganham pouco, têem poucas mordomias e benesses, por isso "merecem ser tratados assim"... É uma pouca vergonha! Daí o estado do País.

Repórter do IP tomou pequeno almoço, almoçou, lanchou, jantou e apanhou bebedeira no bar da Assembleia da República, por apenas 1 euro e 50 cêntimos.

Quando as refeições escolares no Básico atingem os 3,80 euros, o IP viu os preços do bar da Assembleia da República, frequentado por deputados e ministros. Eram 8 da manhã e o repórter pediu um café e um bolo de arroz, tendo pago 15 cêntimos, 5 doi café e 10 do bolo! Vendo ali mama da grossa, o repórter bebeu 10 minis, tendo pago 1 euro, pois cada mini custa 10 cênimos! A seguir, o repórter mamou uma garrafa de Famous Grouse (2 euros), uma Aristoff (1,50 euros) e uma Bombay Sapphire (1,65 euros). Ao almoço, o repórter comeu gambas , camarão tigre, lavagante, sapateira, queijo da Serra, presunto de Barrancos, garoupa e bife do lombo, regado com Palácio da Bacalhôa, por 3 euros! Pedindo champanhe Krug (3 euros a garrafa) e caviar beluga (1 euro, 500 gramas), o repórter passou a tarde no bar da AR, rodeado das deputadas Rita Rato, Francisca Almeida, Ana Drago e Marisa Matias. Parecia que estava no Lux!

AM, no Jornal Público - Inimigo Público

Esqueçam a Grécia. É Portugal que vai destruir o euro"

Fórum das Regiões: Vejam lá se o cavalheiro não terá razão! Se os "senhores da europa" não fizerem nada de útil, o que tem acontecido até aqui...

Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica. Quem o diz é Matthew Lynn, presidente executivo da Strategy Economics, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial. Mas pela negativa. Ao Negócios, diz que o incumprimento português é inevitável. "É apenas uma questão de tempo".

Matthew Lynn (na foto), CEO da consultora britânica Strategy Economics , traça um cenário sombrio para a Zona Euro. E diz que Portugal será o responsável pela queda do euro.

No seu mais recente artigo de opinião, publicado na "Market Watch", na sua coluna intitulada "London Eye", Lynn começa por relembrar a importância do País para a história mundial, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo não europeu entre Espanha e Portugal em 1494. E salienta que 2012 pode ser o ano em que Portugal volta ao centro do palco mundial. Como? “Fazendo o euro ir ao ar”, responde.

“A Grécia já estoirou – e o seu incumprimento está já descontado pelo mercado. Mas Portugal está precisamente na mesma posição (…). Está também a resvalar para um inevitável ‘default’ das suas dívidas – e quando isso acontecer, vai ter um efeito devastador para a moeda única e infligir danos ao sistema bancário europeu, que poderão revelar-se catastróficos”, escreve Lynn, autor de dois livros de economia: "The Billion-Dollar Battle: Merck v. Glaxo and Birds of Prey: Boeing v.Airbus" e Bust: Greece, the Euro and the Sovereign Debt Crisis.

O analista e consultor britânico compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que “Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia, com um PIB per capita de apenas 21.000 dólares, significativamente abaixo dos 26.000 dólares da Grécia – fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% em 2013”.

“Então e como está a sair-se?”, questiona-se. E responde: “Quase tão bem como a Grécia – ou seja, nada bem. Prevê-se que a economia grega registe uma contracção de 6% este ano e Portugal não fica muito atrás – o Citigroup estima que a economia ‘encolha’ 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013”.

Matthew Lynn recorda o estudo da Universidade do Porto, divulgado na semana passada, que diz que a economia paralela aumentou 2,5% no ano passado e que representa agora cerca de 25% da actividade económica em Portugal. “E não há qualquer expectativa de que isso vá mudar em breve. As empresas portuguesas simplesmente não conseguem sobreviver a pagar as taxas de imposto que lhes foram impostas”, refere o especialista.

“O resultado qual será?”, pergunta. E volta a responder: “Os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos. No início deste mês, o governo reviu em alta a previsão do défice, de 4,5% para 5,9% do PIB este ano. Se a experiência grega for válida, esta meta continuará a ser revista em alta. A economia encolhe, cada vez mais pessoas transitarão para a economia subterrânea para sobreviverem e o défice continuará a crescer”.

“Em resposta, a União Europeia exige mais e mais austeridade – o que significa, muito simplesmente, que a economia continuará a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso. Se alguém souber como sair dele, então está a guardar o segredo para si próprio”, comenta Lynn.

Juros da dívida a escalarem

O comentador da "Market Watch" recorda o corte do “rating” da dívida soberana de longo prazo de Portugal, para nível de “lixo”, por parte da Standard & Poor’s. Das três principais agências, só faltava a S&P para a dívida pública de Portugal ser colocada na categoria “especulativa” – ou seja, não é considerada “digna” de investimento, atendendo aos riscos que os investidores correm de não serem reembolsados.

Segundo Matthew Lynn, haverá mais “downgrades”. “Os juros da dívida estão a disparar. Na semana passada, as ‘yields’ das obrigações a 10 anos superaram os 14%. E deverão subir ainda mais”, prognostica. O analista relembra que a maturidade a 10 anos da dívida soberana grega já está com juros de 33% e diz que “não há qualquer razão para as ‘yields’ da República Portuguesa não atingirem os mesmos níveis”.

“E isso é importante”, sublinha. Isto porque, adianta, a crise grega poderia até ser vista como um caso especial. “Mas não a de Portugal. Não houve ‘manipulação’ nos números [Portugal] não registou défices excessivos – com efeito, quando caminhávamos para a crise de 2008, o País apresentava défices de menos de 3% do PIB, bem dentro das regras impostas pela Zona Euro. Não era irresponsável. O problema, muito simplesmente, é que Portugal não conseguiu competir no seio de uma moeda única com economias muito mais fortes. Agora, o País está a mergulhar numa depressão em toda a escala – tão má como o que se testemunhou nos anos 30 [Grande Depressão] – devido à união monetária”.

“Vai ser tão grave como na Grécia. E talvez até pior”, vaticina.

Lynn refere igualmente que os bancos europeus estão mais expostos a Portugal do que à Grécia. “No total, os bancos têm uma exposição de 244 mil milhões de dólares a Portugal, contra 204 mil milhões de dívida grega”, segundo os dados do Banco de Pagamentos Internacionais citados pelo antigo colunista da Bloomberg News e responsável pela “newsletter” da área financeira desta agência.

“O grosso da dívida portuguesa é detido pela Alemanha e pela França. Mas estes são os dados oficiais. É bem provável que grande parte da dívida privada, que é mais substancial do que a dívida pública, seja detida por bancos espanhóis. E estes já estão frágeis. Conseguirão assumir as perdas? Talvez, mas não apostaria a minha última garrafa de vinho do Porto nisso”, comenta Matthew Lynn.

Em seguida, diz o ex-colunista da Bloomberg, esta situação também irá repercutir-se na moeda única. “Se um país entrar em incumprimento, dentro de uma união monetária, isso pode ser visto como um acidente infeliz. Todas as famílias têm uma ovelha negra. Mas quando um segundo país cai, o caso fica muito mais sério. A ideia de que isto é culpa de alguns governos irresponsáveis vai deixar de ser sustentável. A explicação alternativa – a de que o euro é uma moeda disfuncional – vai ganhar mais peso”.

Segundo Lynn, “um incumprimento da dívida soberana por parte de Portugal desencadeará uma retirada da Zona Euro – e neste momento, parece que esse poderá ser o motor que desencadeará o colapso do sistema”. “Foram cinco séculos de espera. Mas agora Portugal poderá estar prestes a desempenhar de novo um papel central na economia global”, conclui o especialista da área financeira.


"É apenas uma questão de tempo"

Ao Negócios, Matthew Lynn reafirmou o que diz no seu artigo de opinião. Questionado sobre se há alguma possibilidade de Portugal não entrar em incumprimento, responde que não. “Penso que é inevitável um ‘default’ de Portugal, caso se mantenha no euro. Quando uma economia está a encolher 5% ao ano, é impossível que a dívida fique sob controlo. Por isso, as dívidas vão ficando cada vez maiores”.

“A única coisa que poderia evitar o incumprimento seria uma ampla ajuda financeira por parte do resto da Zona Euro. Isso estabilizaria a dívida e daria à economia uma hipótese de crescer. Mas isso não vai acontecer – por isso, o ‘default’ é a única opção. É apenas uma questão de tempo”, disse ao Negócios.


Carla Pedro - cpedro@negocios.pt

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O regresso da Velha Senhora

A Antena 1 acabou com a rubrica de opinião "Este Tempo" após, numa crónica de Pedro Rosa Mendes, aí ter sido criticado o servilismo do Governo face ao regime corrupto de Luanda e o tipo de jornalismo que, pago a peso de oiro com dinheiros públicos, sabuja, sob o diáfano manto da "informação", cada poder do momento.

A decisão recorda-me episódios idênticos vividos no JN antes de 1974. Um em que uma crónica de Olga Vasconcelos sobre Indira Ghandi, filha de Nehru (que ordenara a invasão da "Índia Portuguesa"), levou à ordem de encerramento da rubrica onde fora publicada; e um outro que pôs fim ao Suplemento Literário dirigido por Nuno Teixeira Neves por aí não ter sido devidamente louvado um medíocre romance do escritor do regime Joaquim Paço d'Arcos. Os dois jornalistas só não foram despedidos porque tiveram o apoio do então director Pacheco de Miranda e, no primeiro caso, também do chefe de Redacção Costa Carvalho.

As personagens são agora outras, ou as mesmas com outros nomes, mas as semelhanças são inquietantes (só não há na Antena 1 Pachecos de Miranda nem Costas Carvalhos). E vivemos, diz-se, em democracia, regime em que a Velha Senhora, a Censura, não tem, diz-se, lugar.

Mas por algum motivo 64,6% dos portugueses estão hoje, segundo o "Barómetro da Qualidade da Democracia" apresentado há dias, insatisfeitos com a democracia que temos, quando em 1999 mais de 80% a consideravam "boa" ou "muito boa".

Manuel Antóno Pina, no JN

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Exemplos do país inclinado

Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social a quem o país deve uma parte não negligenciável do importante acordo alcançado em sede de concertação social, concedeu ao JN, na edição do passado domingo, uma desassombrada entrevista. Além de abordar as vantagens do acordo entre representantes dos patrões e representantes dos trabalhadores (CGTP excluída, pois claro!), Silva Peneda falou do Norte como uma fundamental tábua de salvação para o país, coisa em que há consenso na teoria mas grande distorção na prática.

"Desde que me conheço, as crises económicas que aconteceram em Portugal foram resolvidas sempre pelo Norte. Foi através das exportações e do Norte que se deu a volta a este tipo de situações. Muitas vezes em Lisboa não se percebe que, quando o Norte está bem, o país está melhor". Sucede que "a exigência que é feita ao Norte em termos de salvar o país hoje não é compatível com o poder que existe e com os meios que estão à disposição do Norte para decidir".

É difícil contrariar a tese de Silva Peneda. Desde logo porque ela cola com os factos, que, como o algodão, não enganam, e com as políticas e intenções governamentais, que, ao contrário do algodão, enganam bastante.

Olhemos para ambos: factos e políticas.

O porto de Leixões é, hoje, o mais lucrativo de todos os portos nacionais. No ano passado, teve o melhor ano de sempre, com um extraordinário crescimento de 12%, puxado pelas exportações, que cresceram 27,5%. O que está nas intenções do Governo? Em traço grosso, usar os lucros de Leixões para cobrir os prejuízos dos restantes portos.

Segundo e fresquinho exemplo. O crescimento do aeroporto do Porto (13,7%) foi, em 2011, o dobro dos restantes (Lisboa, Faro, Beja e Açores). É a partir do Sá Carneiro que as companhias "low cost" mais crescem em Portugal. O que está nas intenções do Governo? Juntar tudo num molhinho e permitir que um operador jogue como entender com as capacidades instaladas. Está bom de ver quem fica prejudicado na negociata.

Terceiro exemplo. Vivemos num país em que os decisores enchem a boca com a decisiva importância das exportações. É o mesmo país em que os mesmos decisores taxam mais alto a auto-estrada da exportação (A25) do que o troço Lisboa-Cascais.

Quarto exemplo. Vivemos num país em que, à pala de um burocrático conceito europeu chamado "efeito de dispersão", o Governo desvia das regiões para a capital larguíssimos milhões de euros.

Quinto exemplo. O país está cada vez mais inclinado, mas isso não chega para que a distribuição de indemnizações compensatórias seja usada para corrigir o declive. Bem pelo contrário.

Sexto exemplo. Se há sector que tem resistido à crise é o do calçado. Basta ouvir as empresas para perceber as migalhas que lhes cabem para promoção e para acesso a linhas de crédito.

Enfim, seria possível escrever mais uns largos milhares de caracteres com exemplos deste e de outro calibre. Para não maçar o leitor, recorro outra vez a Silva Peneda, que vê - e bem - no facto de termos "uma capital enorme e depois o resto do país desertificado" uma inexorável "característica dos países terceiro-mundistas".

Contra este estado de coisas, há quem se atreva, supostamente no seu perfeito prejuízo, a propor a internacionalização do pastel de nata. Não está mal...

"Eu, eu, eu...e os outros"

Embora tenham suscitado justificada indignação geral, as queixas de Cavaco Silva sobre a(s) sua(s) reformas (mais de 10 000 euros mensais, que "não vão chegar para pagar as minhas despesas") não têm relevância senão como sintoma.

De facto, tais queixas foram feitas pouco tempo depois de o mesmo Cavaco Silva ter, sem pestanejar, promulgado um Orçamento que confisca os subsídios de férias e Natal a milhares de reformados com pensões de poucas centenas de euros. E só 48 horas após a assinatura de um Acordo de Concertação Social que subverte totalmente os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores assegurados na Constituição, facilitando e embaratecendo os despedimentos e deixando-os ao arbítrio patronal, e reduzindo indemnizações, subsídios, férias, feriados e tempos de descanso, acordo em que Cavaco vê um "sinal de confiança" para todos os portugueses.

Parece que Cavaco irá receber os subsídios de férias e Natal a que tem direito como reformado do Banco de Portugal. Descontou para isso e tem todo o direito a recebê-los. O problema é que também os restantes portugueses, os reformados e os trabalhadores da Administração Pública no activo, têm idêntico direito e Cavaco subscreveu sem reservas, sequer de constitucionalidade, a lei que os espolia de tal direito.

O "provedor do povo" queixou-se ao povo de que 10 000 euros por mês não lhe chegam. Será o povo, por sua vez, o provedor do seu provedor?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Apresentação pública da Associação MCP

Foi ontem apresentada públicamente a Comissão Instaladora da "Associação MCP - Movimento de Cidadãos por Paredes".

Decorreu ontem ao final da tarde no Paredes Hotel Apartamento, o ato público de apresentação da Comissão Instaladora da "Associação MCP - Movimento de Cidadãos por Paredes", associação a constituir formalmente em breve.

Os elementos constituintes desta comissão são oriundos das várias zonas geográficas do concelho e provêm de diversas áreas profissionais, visando com isto dar amplitude e abrangência ao movimento.

Este momento contou com o "apadrinhamento" do Dr. Paulo Morais, Docente da Universidade Lusófona e ex. Vice Presidente da Cãmara Municipal do Porto.

Intervenção de José Henriques Soares, mentor deste projeto, na sessão de ontem:


"Muito boa noite a todos,

Antes de mais um agradecimento pessoal e especial a todos vós por terem aceitado o convite, que de uma forma, ou de outra, vos formulei:
 

- Àqueles, cidadãos deste e outros concelhos, que aceitaram testemunhar este momento;
- Àqueles, cidadãos deste concelho que aceitaram o meu convite para pertencerem à Comissão Instaladora desta nova associação que se constituirá formalmente em breve;

- Ao cidadão Paulo Morais, amigo de algumas lutas passadas e certamente futuras, por aceitar “apadrinhar” esta apresentação.

Permitam-me também individualizar aqui uma outra pessoa que aqui está, o Dr. Humberto Brito, mentor do Movimento 6 de Novembro, de Paços de Ferreira, pelo apoio, amizade e colaboração que tem emprestado a este nosso objectivo.

Há vários anos que partilhava com alguns amigos próximos, a vontade de criar condições para o aparecimento de uma associação de cidadãos da nossa terra que servisse, de facto, os interesses dos cidadãos e os pudesse ajudar naquilo que são as suas dificuldades, a sua falta de informação e outras condicionantes do seu dia a dia.

Reporto-me àquilo que o estado define por serviços e/ou bens essenciais, a prestar ao cidadão, entre eles a energia, a electricidade, a água, etc, que múltiplas vezes, por se tratar de monopólios, infringem as mais básicas regras de respeito pelos cidadãos, acarretando-lhes sérios prejuízos, materiais e não materiais. Nestes casos, a defesa individual sai sempre mais cara, do que aceitar o prejuízo.

No caso concreto da água, alguns sectores do poder começam a lançar para a opinião pública a possibilidade de privatização da água, um bem essencial e precioso, cuja privatização os cidadãos teeem de impedir a todo o custo. Já basta a luta que teremos de travar contra essa camuflada forma de privatização, a que muitas autarquias deram cobertura, que são as concessões a longo prazo e que utilizam os mais perversos métodos de ameaça aos cidadãos, para impor a sua lei com a bênção dessas autarquias.

É contra isto que queremos travar batalhas, sempre em defesa dos cidadãos e este será certamente o nosso primeiro e grande enfoque.

Em resumo, tentaremos criar uma associação que tenha uma porta aberta para acolher, informar, acompanhar e ajudar aqueles que dela necessitem.

É isso que procuramos com a criação desta associação, a Associação MCP – Movimento de Cidadãos por Paredes”.

Como sabeis e isso faz parte da história, o 25 de Abril de 1974, trouxe a luz da Democracia e da Liberdade aos cidadãos deste País. Infelizmente foi uma luz ténue, ligeira e que rapidamente tende a desaparecer.

Julgo ser hoje inequívoco, que o grosso dos valores morais associados à Liberdade e à Democracia, são hoje coisa do passado. Não sei se a culpa disso é das secretas, da maçonaria ou da opus dei, ou outro qualquer tipo de organização, mais ou menos secreta. Uma coisa eu sei, a culpa não é nossa, meros cidadãos, ou melhor dizendo, a culpa não é do Povo. Vá lá, talvez tenhamos a culpa de votar sempre em quem não se importa connosco e com o nosso futuro.

Atrever-me-ia a dizer que a culpa central é dos partidos políticos. Estes não foram capazes de corporizar na sociedade, aqueles valores de 1974.

Não sei se será ir longe de mais, dizer que, hoje, os partidos políticos e o seu modo de organização, não deixam de ser “máfias legais”! Organizações que só olham para o seu interesse, e dos seus. Não restam dúvidas que para se chegar a um centro de poder qualquer, Nacional ou Local, é preciso ter o necessário cartão partidário de acesso. Estarei errado?

Não sou certamente o único a pensar assim. Até quem já esteve em diversas áreas do poder e com cartão partidário, pensa assim, apesar de lamentar que só o faça agora. Refiro-me a Miguel Cadilhe, que recentemente afirmou categoricamente que o estado do país se deve à omissão e/ou negligência do dever de gerir bem, aquilo que é o interesse público, referindo nomeadamente o Banco de Portugal e demais entidades reguladoras e os partidos políticos. Estará ele também errado?

Este cenário não é nada bom para nós, cidadãos, porque em última instância seremos sempre nós a pagar a dita fatura, a fatura da incompetência de gestão da coisa pública.

O Mundo apresenta-se hoje com uma dinâmica de mudança que nós não somos capazes de acompanhar e muito menos aqueles que estão no exercício do poder. O que hoje é, amanhã pode já não o ser!

É por isso mesmo, já que é o dito POVO que paga sempre as consequências da incompetência de quem manda, é por isso mesmo que digo que é chegado o momento de estes fazerem algo em seu favor e que lhes traga alguma protecção. A intervenção cívica e de cidadania, não deve ser só um direito que nos assiste, mas sim uma obrigação nossa, para com o próximo, em nome dos nossos filhos.

Para finalizar, diria que não gostaria nunca que alguém dissesse dos cidadãos de Paredes, aquilo que um determinado apresentador de um programa de entretenimento de televisão diz aos seus concorrentes:

- Cidadãos de Paredes, vocês são o elo mais fraco, ADEUS!"
 
 
Vale do sousa 24 de Janeiro

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como disse? Provedor do Povo?

Está explicado nos livros de Ciência Política: os presidentes da República estão talhados para um primeiro mandato abúlico, dando uma no prego e outra na ferradura, tendo presente a estratégia de, à falta de ondas, ficarem mais perto da reeleição. O sistema não foi nunca furado e, em democracia, provavelmente ainda está por nascer o primeiro sujeito a ser apeado do exercício de dez anos de Poder no Palácio de Belém.

Não tem, de facto, havido um milímetro de desvio à regra: o segundo mandato presidencial é sempre marcado por uma maior capacidade de intervenção. Foi assim com Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio. Está a ser assim com Cavaco Silva.

Os primeiros cinco anos de mandato do actual presidente da República ficaram marcados por pouquíssima magistratura de influência sobre os governos de Sócrates. As discordâncias foram geridas com pinças e, retirando alguns vetos em matéria de costumes, tiveram efeitos nulos na eventual reposição de uma rota sensata para o país. Meia dúzia de discursos críticos serviram para acautelar um argumento posterior fácil: o do "eu avisei"...

A acção neutra, chamemos-lhe assim, recolocou Cavaco Silva, faz amanhã um ano, no Palácio de Belém. E a par do reforço da sua intervenção modernaça pelo uso do "Facebook", os últimos 364 dias mostraram um presidente bem mais interventivo, capaz de revelar um pensamento sobre a Europa; e de à entrada ou saída de um qualquer congresso prestar declarações aos jornalistas para deixar cair recados demasiadas vezes cifrados ou susceptíveis de serem vistos como agulhas críticas espetadas ao Governo. O jogo do gato e do rato amplificou-se.

O posicionamento político do presidente da República no segundo mandato não foge, pois, ao dos seus antecessores. E como sucedeu com todos, há dias em que a mensagem de Cavaco Silva é difícil de descodificar ou de escapar a críticas agrestes.

Os últimos dois dias são paradigmáticos de como o presidente da República anda desinspirado e soma erros de trajectória desnecessários. Pior: encavalita-os.

Ninguém de perfeito juízo entende como Cavaco Silva se queixou do valor das reformas que aufere, dando-se o caso de ter referenciado os 1300 euros recebidos todos os meses da Caixa Geral de Aposentações pela sua actividade de professor universitário, mas sem quantificar a verba recebida na qualidade de antigo quadro do Banco de Portugal - pois, indicou o nível 18, o mais elevado, mas houve necessidade de consultar a sua declaração de rendimentos para se perceber que ela anda à volta dos 8700 euros por mês. Tudo somado: cerca de 10 mil euros mensais brutos. E as lamúrias são tanto mais incompreensíveis quanto Cavaco Silva trocou o vencimento de presidente da República pela vantagem material do somatório das reformas. Pois, disse não chegarem para as suas despesas, mas de tal problema sofrem milhões de portugueses.

O erro de palmatória tem explicação? É difícil...

Ontem, em Vila Nova de Famalicão, considerou-se o "provedor do Povo" por receber mais de três mil cartas por mês de cidadãos angustiados e em busca de uma solução para as aflições do dia-a-dia. Não fez a antevisão, mas não é difícil adivinhar: nos próximos tempos, sujeita-se a ver multiplicada a recepção de correspondência de portugueses abespinhados com a desfaçatez do seu lamento.

A um provedor do Povo pede-se bem mais. E os reformados na verdadeira penúria agradeceriam um pedido de desculpas do presidente da República.

Jornal de Notícias

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A honra perdida da política

Que pensaria um cidadão comum se alguém em quem tivesse confiado e com quem tivesse feito um acordo, apanhando-se com o acordo na mão, violasse todos os compromissos assumidos fazendo exactamente o contrário daquilo a que se comprometera?

Imagine agora o leitor que esse alguém é um político que obteve o seu voto jurando-lhe repetidamente que faria determinadas coisas e nunca, nunca!, faria outras ("Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"; "Do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir").

Um político que lhe jurou que "ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam" e que fez o que a própria CE já reconheceu, que em Portugal as medidas de austeridade estão a exigir aos pobres um esforço financeiro (6%) superior ao que é pedido aos ricos (3%, metade).

Um político que lhe garantiu que "não quero ser eleito para dar emprego aos amigos; quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários" e cujos amigos aparecem, como que por milagre, com empregos de dezenas e centenas de milhares de euros na EDP, na CGD, na Águas de Portugal, nas direcções hospitalares e em tudo o que é empresa ou instituto público.

Quando os eleitos actuam impunemente à margem de valores elementares da sociedade como o da honra e o do respeito pela palavra dada não é só o seu carácter moral que está em causa mas a própria credibilidade do sistema democrático.

Manuel António Pina, no JN