O "Fórum das Regiões", defende uma Região Norte coincidente com a actual região-plano (CCDR-N) e um modelo de regionalização administrativa, tal como o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

O "Fórum das Regiões", considera a Regionalização o melhor modelo para o desenvolvimento de Portugal e para ultrapassar o crescente empobrecimento com que a Região Norte se depara.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Salvação nacional

A austeridade que nos impingiram é socialmente insuportável, injusta e está apontada aos alvos errados. O Estado português tem de pôr as contas em dia.

É verdade. Se a receita anual anda na ordem dos sessenta mil milhões e a despesa nos setenta, obviamente que este défice tem de ser diminuído ou até eliminado. O Estado tem de reduzir – e muito – as suas despesas. Mas deve penalizar os que provocaram a crise e não todos os outros.

Em primeiro lugar, o Estado tem de poupar nos juros da dívida. Milhares de milhões de euros em cada ano, bem entendido. Não é admissível que os juros representem a maior despesa do Estado em 2013. É irracional. Seria como se alguém na sua economia familiar gastasse mais em lavagens do automóvel do que na alimentação dos filhos. É claro que este corte viria agastar o "lobby" da banca, Ricardo Espírito Santo, Fernando Ulrich ou até a filha do presidente angolano. E não há coragem política para o fazer. Além de que alguns políticos influentes são, eles próprios, administradores de bancos, de Vera Jardim no PS, a Lobo Xavier no CDS… entre outros.

Outra despesa a ser imediatamente reduzida é a das rendas com as parcerias público-privadas. Poder-se-iam poupar, sem dificuldade, mil milhões. Isto se houvesse coragem para enfrentar os maiores parceiros privados, como os grupos Mello ou Mota-Engil. Não há! Acresce que estes grupos garantem a sua intocabilidade colocando nas suas administrações atores políticos como Joaquim Ferreira do Amaral, Valente de Oliveira ou Jorge Coelho.

Muitas outras despesas se poderiam evitar no Estado, a começar na renda milionária contratada com o fundo detentor do Campus de Justiça em Lisboa, presidido por Alexandre Relvas, diretor de campanha de Cavaco Silva. Etc., etc., etc. A verdadeira salvação nacional consiste em cortar neste tipo de gorduras do Estado. E não nas pensões, nas reformas, ou nos salários e subsídios dos funcionários. E muito menos no ensino, na saúde ou na segurança social. Portugal precisa apenas de ser governado por quem, seguindo a máxima de António Vieira, impeça que "os peixes grandes comam os pequenos. O contrário seria menos escandaloso, porque um peixe grande poderia alimentar muitos peixes pequenos".

Por: Paulo Morais, Professor Universitário, no CM

Rui Rio diz que "Menezes fez pior a Gaia do que o PS ao país"

Fórum das Regiões: Diz o que pensa e não aquilo que alguém quer ele diga e isso já é muito importante. Quanto ao conteúdo em causa ... se calhar tem razão, dizemos nós.


Rui Rio quebrou o silêncio, mas não o tabu. Em entrevista à RTP, atacou Menezes, mas não apoiou Moreira. Não rejeitou disputar a liderança do PSD, mas afirmou que, se depender só de si, não volta à política.

Dois meses antes de abandonar a Câmara do Porto, onde chegou há 12 anos após uma inesperada vitória eleitoral, mas posteriormente consolidada com duas maiorias absolutas, Rui Rio confirmou ontem, pela primeira vez, a zanga com o PSD, e declarou guerra a Luís Filipe Menezes, seu putativo sucessor.
"Não posso aceitar que o meu partido peça sacrifícios aos portugueses porque o anterior Governo endividou o país e que depois escolha para me suceder uma pessoa que, em termos relativos, ainda fez pior a Gaia do que o PS fez ao país", criticou, em entrevista à estação pública.
Rio acentuou o ataque a Menezes, que acusou de lhe ter feito "mais oposição do que o próprio PS", e disse sentir "obrigação ética" de se demarcar dele. "Se o apoiasse, era hipócrita. Se me calasse, era oportunista. Dizendo o que deve ser dito, demarcando-me das suas promessas, que conduziram Gaia a um endividamento brutal, estou a defender a coerência e a frontalidade". O ainda autarca não perdoa ao PSD a escolha do candidato para o Porto. "É lamentável que o meu partido tenha pedido aos portuenses durante 12 anos para votarem em mim, e agora já está a pedir para votar num candidato diametralmente oposto". É este tipo de comportamento, insistiu, "que descredibiliza a política".
Se o ataque a Menezes foi claro, o apoio a Rui Moreira ficou por oficializar. Ficou implícito. "Candidaturas independentes não nascem por milagre", afirmou. "Há um movimento de topo na sociedade portuense que o apoia". Não foi mais longe, mas lançou um desafio ao eleitorado: "Olhem para as opções e perceberão qual se aproxima mais de mim".
O segundo tabu que tem perseguido Rui Rio prende-se com a disponibilidade para disputar a liderança do PSD. Mas, também aí, o economista foi evasivo. "Acusavam-me de usar o Porto como trampolim para chegar ao Governo. Sempre disse que estava com os dois pés no Porto e cumpri. É com a autoridade de quem cumpriu que digo que só se houvesse alguma coisa transcendente no país alteraria o meu plano de vida, que passa por voltar à minha vida profissional, fora da política". A afirmação não vale para sempre. "Se acontecer alguma coisa que me coloque entre a espada e a parede, destruiria a minha credibilidade se fugisse".


Fonte: Jornal de Notícias

Passos aprova decisão de risco que criticou a Sócrates

Fórum das Regiões: Nós por aqui no FdR não acreditamos que le seja capaz de fazer isso...!!!
Passos Coelho acusou em 2011 o governo de Sócrates de colocar em perigo as pensões com a compra de dívida pública pela Segurança Social. Agora prepara-se para fazer o mesmo.
O "Jornal de Negócios" escreve hoje que "Em maio de 2011, durante a campanha para as legislativas, num almoço de campanha em Mirandela, Passos Coelho acusa o Executivo de José Sócrates de pôr em risco os depósitos e as reformas ao pedir aos bancos e à Segurança Social para comprarem dívida pública nos leilões das novas emissões, ainda antes do pedido de resgate. Agora, no Governo, prepara-se para fazer o mesmo".
Segundo o jornal, "um dos últimos atos oficiais do anterior ministro das Finanças, Vítor Gaspar, foi assinar um despacho que permite ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), que serve de almofada para o pagamento futuro das pensões, aumentar o investimento em dívida pública portuguesa para 90% da carteira. O que permitirá reduzir o rácio da dívida pública em função do PIB. Além de reduzir as necessidades de financiamento do Estado nos mercados. A ideia não é original uma vez que o Governo de José Sócrates tentou fazer o mesmo em 2011 para evitar o resgate que acabaria por acontecer. Passos Coelho usou na altura essa opção do Governo como arma de arremesso político e, agora no Governo, prepara-se para a aprovar".


Fonte: Diário de Notícias

O Governo precisa de um polígrafo

A mais recente polémica que se abateu sobre o Executivo de Pedro Passos Coelho (ou será de Paulo Portas?) arrisca-se a errar os alvos. Que Joaquim Pais Jorge, recém-nomeado secretário de Estado do Tesouro e antigo quadro do Citigroup, andou a meter os pés pelas mãos em matéria de responsabilidade na venda de contratos swap ao Governo de José Sócrates parece hoje óbvio para todos. Já lá vamos.

Convém lembrar, antes de formularmos qualquer juízo de valor sobre Pais Jorge, que o agora secretário de Estado foi nomeado pela ministra das Finanças e é uma pessoa de inteira confiança da também acossada, curiosamente em matéria de swaps - e de Paulo Portas -, Maria Luís Albuquerque. Não é decente, por isso, o silêncio da ministra que permite deixar cozer em lume brando um homem da sua equipa trazido para o Governo, numa altura que ela própria era o foco da polémica em volta dos contratos de risco.

Outro caso sério em torno de Pais Jorge é o do seu colega de Governo Pedro Lomba. O secretário de Estado-adjunto do Ministro adjunto (é assim mesmo a designação, acredite) disse ontem no peculiar, chamemos-lhe assim, 'briefing' governamental que "foram detetadas inconsistências, que nesta fase merecem análise e cuidado" sobre a presença do secretário de Estado do Tesouro "nas reuniões sobre a venda, a suposta venda, de swaps". Assim, sem hesitação, Lomba anunciava ao país, em direto nas televisões, que um governante em funções estava a ser alvo de uma inquirição do Governo para avaliar se se trata, ou não, de um mentiroso. Lomba foi mais longe ao anunciar que o resultado desta investigação seria tornado público ainda nesta terça-feira. Perto da meia-noite, nenhuma explicação tinha sido dada. E, se assim tiver continuado nos minutos seguintes, o que dirá Pedro Lomba hoje? O que fará o secretário de Estado do ministro Poiares Maduro, arrojado inventor destes inconsequentes encontros com a imprensa?

Voltemos então a Pais Jorge. Confrontado na passada sexta-feira num dos já referidos 'briefings' - ainda com Lomba a seu lado - o secretário de Estado do Tesouro disse nada ter a ver com os swaps que o Citigroup tentou vender e isto apesar de ser seu alto quadro em Portugal. Tropeçou nas explicações sobre o seu papel na instituição financeira, mas insistiu que "não tinha responsabilidades diretas na venda de produtos derivados" que teriam como objetivo ocultar dívida nacional perante os parceiros europeus. Além de garantir não ser responsável, Pais Jorge afirmou categoricamente não ter ideia de ter participado em reuniões em São Bento.

A investigação dos jornalistas da SIC e da "Visão" deu uma ajuda ao desmemoriado governante. De facto, Pais Jorge não participou num, mas sim em três encontros com os assessores económicos de Sócrates.

Não sabemos se a peculiar investigação que Lomba prometeu tornar pública ontem vai chegar a esta conclusão. Será por isso prematuro especular sobre o futuro previsível de Pais Jorge. E, já agora, de Lomba e de Maria Luís Albuquerque. O que sabemos é que ficaria bem ao duo Passos/Portas investir num polígrafo e sujeitar ao detetor de mentiras, a partir de agora, os mais que certos candidatos a tapar as inevitáveis brechas que se avizinham num executivo que não para de nos surpreender pelas suas trapalhadas.


Alfredo Leite, no JN

Cortes nas reformas deixam políticos de fora

Fórum das Regiões: Será que eles (os deputados e membros do governo) se enganaram?


Deputados mais de 12 anos e ministros e secretários de Estado até 2005 ficam a receber o mesmo que até aqui

As subvenções vitalícias pagas aos políticos não estão contempladas na proposta de lei que prevê a convergência entre os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações e a Segurança Social. Ou seja, todos os deputados que estiveram no parlamento durante mais de 12 anos ou membros do governo que exerceram cargos até ao final de 2005 continuam a receber o mesmo que agora.

A ser aprovada como foi entregue aos sindicatos, a nova lei vai criar outras distorções. Por exemplo, o Presidente da República pode vir a ganhar menos que a presidente do parlamento. No caso de Cavaco Silva, uma parte da sua reforma, a que é paga pela Caixa Geral de Aposentações, sofrerá um corte de 10%, mantendo-se idêntica a parcela paga pelo Banco de Portugal. Já no caso de Assunção Esteves, o valor mantém-se idêntico, já que a sua reforma integra a de um dos poucos grupos profissionais que escaparam aos cortes: o dos juízes.

As Finanças explicaram ontem que as pensões dos magistrados, tal como a dos diplomatas, estão indexadas aos vencimentos pagos a profissionais que estão no activo e que têm vindo a sofrer reduções. "Por força desta circunstância, estes beneficiários tiveram o valor da respectiva pensão diminuído pela aplicação da redução remuneratória (até 10%) imposta pela lei que aprovou o Orçamento do Estado para o ano de 2011 e mantida nos anos seguintes."

Contudo, a proposta não contém nenhuma ressalva para o futuro, o que significa que se no futuro próximo estes salários vierem a ser repostos, uma vez que só passaram no Tribunal Constitucional por serem transitórios, estes dois grupos ficam numa situação privilegiada relativamente aos restantes pensionistas da CGA, que não podem contar com a reposição da reforma a curto prazo (ver texto do lado).



Fonte: Jornal I

Almoços grátis?

A atual maioria PSD /CDS prepara-se para reduzir em 10% os montantes de todas as pensões do setor público. A medida, que estará inserida no tão propalado corte de quatro mil milhões de euros nas despesas do Estado (montante posteriormente reduzido para dois mil milhões), constitui um ato brutal contra quem trabalhou e descontou durante o período da vida ativa e que, chegado à velhice, acaba sendo alvo de um verdadeiro assalto aos seus rendimentos. Não está só em causa o princípio republicano da solidariedade, um dos valores matriciais de qualquer República Democrática (cfr. Artigo 1.o da Constituição). 

O que esta maioria se prepara para fazer constitui a negação dos mais elementares princípios do direito. Com essa medida, o PSD e o CDS retiram a milhares de idosos as condições de dignidade para o fim das suas vidas, pois com esse corte muitos idosos terão de reduzir ou eliminar despesas pessoais absolutamente essenciais à sua existência, tais como alimentação e medicamentos. Mas, com tal medida, o PSD e o CDS violam também, de forma acintosa, o contrato de cidadania que o Estado havia celebrado com os seus servidores, mediante o qual estes teriam, no fim da sua carreira contributiva, direito a uma pensão proporcional às respetivas contribuições. O PSD e o CDS, chegados ao poder, não só violam todas as promessas eleitorais que lhes permitiram precisamente alcançar o poder, fazendo justamente aquilo que em campanha eleitoral garantiram que nunca fariam, mas violam ainda as mais basilares regras jurídicas, já que, com uma pusilanimidade estonteante, rasgam os contratos vitalícios que o Estado havia celebrado. Tudo sem qualquer culpa dos prejudicados, com a exceção, porventura, de terem permitido que pessoas sem palavra e sem honradez política chegassem ao poder.

Mas, ao mesmo tempo que se preparam para cortar impiedosamente nas pensões dos aposentados, incluindo daqueles que auferem apenas algumas centenas de euros mensais, o PSD e o CDS propõem-se, com a mesma insensibilidade, isentar desses cortes magistrados e diplomatas, muitos dos quais auferem pensões superiores a cinco mil euros mensais. Trata-se da consagração, na nossa República Democrática, de um privilégio de casta que, numa sociedade decente, deveria envergonhar tanto quem o concede como quem o recebe. Um privilégio que, no caso dos magistrados, acrescerá a muitos outros verdadeiramente escandalosos, como subsídios de habitação a quem vive em casa própria, isenções de impostos, etc. Mas, como a cultura dos nossos magistrados é a de quem se julga acima dos simples mortais, tudo o que sabe a privilégios é sempre bem-vindo para eles.

Porém, como não há almoços grátis, a prebenda que o PSD e o CDS se preparam para oferecer aos magistrados deve ter, obviamente, por detrás, negociatas malcheirosas. Para além de poder constituir um aliciamento por parte de quem não tem a consciência tranquila e procura favores ou indulgências judiciais, ela não pode deixar de ser encarada como um prémio pelo contributo que os magistrados deram para desgastar o Governo anterior com processos vergonhosos, assim contribuindo também para antecipar a chegada ao poder do PSD e do CDS. Mas, por outro lado, ela surge não muito tempo depois de um dirigente do sindicato dos juízes ter insinuado publicamente que se os juízes portugueses tivessem de suportar os sacrifícios da crise como todos os outros cidadãos, eles poderiam deixar de ser independentes e, provavelmente - pensámos todos nós - corromper-se-iam e (pelo menos alguns) passariam a vender sentenças.

É claro que agora não faltarão os habituais magistrados papagaios tentando justificar essa ignomínia com os mais estúpidos argumentos (lembram-se daquele em que, além das férias de Natal e da Páscoa, se justificava a existência de dois meses de férias no verão para os magistrados trabalharem?). Mas isso só demonstra a conta em que eles têm os cidadãos desta República. Por mim, repito: nestas coisas (como em muitas outras da vida), não há almoços grátis, só faltando apurar o que os magistrados, sobretudo os juízes, darão em troca ao PSD e ao CDS, além do que já deram no passado recente.


Marinho Pinto, no JN

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Rioísta me confesso

As sondagens desta semana mostram que se acentua a descredibilização dos partidos. É urgente fazer política com verdade, frontalidade e coerência. É urgente que a política esteja ao serviço das instituições e do povo e não ao serviço dos profissionais dos partidos. É por isso que vale muito a entrevista de Rui Rio à RTP.
Não foi sequer uma entrevista de fundo para conhecer o seu pensamento estratégico, mas foi uma conversa que confirmou de forma clara o seu ADN político e nos fez recordar como há muita hipocrisia na vida dos partidos.
Rio tem feito intervenções alertando para o iminente colapso do regime. Como podia ficar calado na hora de deixar a Câmara do Porto? Em nome de que interesses estaria obrigado a hipotecar a coerência e a frontalidade com que está na política? O que apressadamente foi visto pelos seus adversários como um ajuste de contas é, de forma evidente, um lavar de alma. Um passo em frente de alguém que exige a si próprio uma consciência tranquila para continuar dono do seu destino.
Pode não se gostar dele pelas corridas da Boavista, por simpatia com os lóbis da cultura, por clubite exagerada ou pelas guerras pegadas com alguma comunicação social, mas não se pode acusá-lo de ser demagogo na caça ao voto. As vitórias que obteve foram conseguidas contra tudo o que está escrito nos livros da política moderna. Não namorou as elites, não coleccionou amigos jornalistas, não se fez militante de todas as causas nem simpatizante dos maiores clubes.
Em nenhum dos sentidos está clubisticamente na política. Não vota no partido a que pertence porque adivinha muito melhor solução para a cidade numa candidatura alternativa. E o que ganha com isto? Apenas a esperança de poder estar a contribuir para que o Porto saia vencedor nas próximas autárquicas. E se tivesse ficado calado, como todos supunham que ia acontecer? Beneficiaria da "solidariedade" partidária, porque para os que se portam "bem" há compensações.
Não vale a pena Couto dos Santos tentar convencer-nos de que o PSD deu a mão a Rio para que ele fosse alguém na política. Esta imagem pública que os dirigentes gostam de dar de si próprios, de que os partidos servem para fazer deles alguém, é só mais um tiro no pé. E Couto dos Santos pode até ir ao baú das memórias recuperar o filme das autárquicas de 2001. Nessas eleições, foi Rio que deu a mão ao PSD, vencendo no Porto contra todas os lóbis e sondagens e contribuindo decisivamente para Guterres se demitir.
Não é preciso ser do PSD para ver que a forma como Rui Rio está na política devia ser um exemplo para toda a gente, mas é preciso ser do PSD para tirar proveito directo de ter Rio no partido. Basta não ceder à hipocrisia.


Paulo baldaia, no DN

Fernando Ruas: Sem regiões não há equilíbrio

Fórum das Regiões: É pena que só em final de mandato, os autarcas tenham coragem de se afirmar a favor da REGIONALIZAÇÃO! Ela já devia ter sido implementada há muitos anos, porque um País será tanto mais forte, quanto mais forte forem as suas regiões...!


Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios e da Câmara de Viseu, diz: a regionalização é a única maneira de evitar que um lisboeta tenha 14,5 vezes mais poder de compra do que um cidadão de Penedono.

Durante as duas horas e meia do almoço no Forno da Mimi, em Viseu, Fernando Ruas, 64 anos, quase não tocou nas entradas (onde avultava um polvo com molho verde) e apenas petiscou o bacalhau e a vitela à Lafões, que empurrou com uma Stout sem álcool, mas fartou-se de falar e sem papas na língua. Não escondeu duras críticas à reforma administrativa desenhada por Relvas e declarou-se um defensor militante da regionalização.
"Se houvesse regionalização, o país não seria tão assimétrico. Não posso compreender e aceitar que um cidadão de Lisboa tenha um poder de compra 14,5 vezes superior ao de um de Penedono. As regiões dariam um maior equilíbrio ao país", afirma Ruas, que continua numa roda viva, apesar estar a poucos meses de terminar os seus mandatos como presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP) e da Câmara de Viseu.
Este mês, já esteve na Suíça e no Brasil. Mal sepultou com um café a pera bêbada da sobremesa, foi a correr para a inauguração dos Jardins Efémeros. E teve de desmarcar à última hora a sua presença na Conferência do JN em Viseu, porque tem hoje a reunião do Conselho Diretivo da ANMP que aprovará uma Lei das Finanças Locais que considera bondosa para as autarquias.
Sobre a lei de limitação de mandatos, que o impede de se recandidatar, tem uma opinião bem clara: discorda, por considerar que o legislador se substitui ao eleitorado (e, ainda por cima, faz dele burro) e não duvida que permite a um presidente com três mandatos numa câmara candidatar-se a outra autarquia - algo que ele próprio não faria.
"Sou contra a extinção de freguesias. Não se ganha nada e perde-se muito. Um presidente de junta não é um autarca, é um enfermeiro, um motorista, um padre e uma assistente social", afirma Ruas que, a nosso pedido, elegeu os melhores e piores momentos dos seus mandatos na ANMP e na Câmara e elencou os três principais pontos do seu caderno reivindicativo para a região (autoestrada para Coimbra, universidade e comboio). Um caderno reivindicativo com uma particularidade: todos os seus pontos já foram aprovados pelo Governo, mas ainda nenhum passou do papel.


Fonte: Jornal de Notícias

As portas que Abreu abriu

Na última edição do semanário "Grande Porto", a manchete reproduzia uma afirmação do senhor doutor Carlos Abreu Amorim, que em entrevista a este jornal entendeu por bem dizer que Gaia merece mais do que um comentador da bola.
Aferido pelos critérios estreitos do dr. Abreu, eu também sou um comentador da bola. Embora com a atenuante de que Gaia está livre de me ver a presidir à sua Câmara.
Se me limitasse a festejar as vitórias do meu clube nas redes sociais, mesmo chamando magrebinos, em vez de mouros, aos sulistas adeptos dos clubes derrotados, poderia ter a pretensão de ser considerado um intelectual. Uma espécie de Manuel, o Pensador.
Acontece que tendo eu feito parte em tempos de um programa da SIC chamado "Os donos da bola" (é que com este título, nem dá para disfarçar) e sobretudo tendo eu aceitado o convite da TVI 24 para integrar nos últimos dois anos o painel de comentadores do "Prolongamento", devo reduzir-me a esta insignificância de ser um mero comentador da bola.
Aliás, reparando agora nas pessoas que me acompanham neste programa, noto que a mesma coligação que candidata o dr. Abreu a Gaia escolheu para Lisboa precisamente um comentador da bola. Imagino que coerentemente, o dr. Abreu defenda que uma cidade com tantos magrebinos não mereça mais do que um comentador da bola, ao contrário de Gaia que, já percebemos, se por acaso o não vier a eleger presidente, é porque também, afinal, não merecia mais do que um comentador da bola.
Que o dr. Abreu é muito mais que um comentador da bola, disso não restam dúvidas. No dia 29 de setembro logo veremos se o dr. Abreu não será de mais para Gaia.
Existem pessoas que fazem parte de uma elite cada vez mais escassa, que habitam num patamar superior, de onde têm dificuldade em perceber os que se movimentam "downstairs". Gente de parada alta que nunca chega a perceber o esplendor do futebol jogado à flor da relva.
Admito sem dificuldade que o dr. Abreu possa pertencer a este grupo restrito e assim sendo é já de louvar a disponibilidade demonstrada para se sujeitar às canseiras de uma campanha em Gaia e depois ao veredicto popular em que participam pessoas com quem ele nunca se sentaria à mesa, muito menos a discutir a bola.
Devo confessar que nos tempos livres que me deixa a minha atividade de comentador da bola, faço mais alguma coisa e do dr. Seara também tenho ouvido que tem dias em que lá faz uma ou outra coisa, que não comentar a bola.
Imagino que só pessoas que pertençam a esta casta rara do dr. Abreu é que têm capacidade para se desmultiplicarem em várias atividades. Desde logo, não é qualquer pessoa que nas mesmas 24 horas que têm os dias para todos nós consegue defender superiormente os interesses do simpático povo do distrito de Viana do Castelo e simultaneamente inteirar-se diária e afincadamente dos problemas do povo gaiense, de que promete tratar a partir de setembro. Como para além disto ainda consegue encontrar tempo e disposição para se cultivar nas áreas culturais em que se distingue, como a política, a literatura e o Direito, é que é um mistério insondável para um limitado comentador da bola como eu.
Dando provas de uma inteligência superior, o dr. Abreu transportou a sabedoria da política para a sua atitude quotidiana. Conhecedor da teoria da separação dos poderes, o seu percurso é uma aplicação prática da teoria da separação dos saberes. Professor, ensaísta, deputado, bloguista e a caminho de se tornar autarca (quiçá presidente se Gaia o souber merecer...) ninguém apanha o dr. Abreu a armar-se em comentador da bola.
Se um dia o virmos para as bandas do Olival ou do Dragão, podemos estar descansados que não é mais um político a misturar-se com o futebol. É mesmo dos votos que ele andará à procura, porque já sabemos que com a bola, o dr Abreu não quer misturas.
Pedindo desculpa pela falta de humildade na maneira como me dirijo à sua pessoa, gostaria de dizer ao dr. Abreu que ainda bem que não se aventura por essas áreas do comentário da bola. É que no dia em que cedesse a essa tentação, convinha que aprendesse que os golos na própria baliza não ajudam a ganhar campeonatos.


Manuel Serrão, no JN

A celebração da vitória de Pedro Passos Coelho

Passos Coelho teve uma grande vitória depois de conseguir que o Presidente da República ressuscitasse o seu governo, dado como irrevogavelmente morto há já três longas semanas. É a primeira vez que comemora algo na política, desde a noite eleitoral de 5 de junho de 2011.
O primeiro-ministro, seja por estratégia inteligente seja por obstinação estúpida, recusou demitir--se quando tudo ruia à sua volta. Este gesto, tomado contra o senso comum e ridicularizando a tradição politiqueira lusitana (lembrem António Guterres, lembrem Durão Barroso), candidatou-o, na alma dos apoiantes e na mente dos mais crédulos, a mártir da Nação.
Aceitou todas as condições impostas pelo instável parceiro de coligação, Paulo Portas. Todas? Não. Todas menos uma: a revogação da nomeação da ministra das Finanças, que é o cargo que realmente interessa controlar, pelo menos até junho de 2014, quando terminar esta primeira fase de subordinação de Portugal à troika. Na alma dos apoiantes e na mente dos mais crédulos, Passos Coelho passou a almejar o estatuto de líder agregador e de campeão do diálogo.
Suportou com sorrisos e solicitude a interferência do Presidente da República, que lhe impunha eleições daqui a um ano em troca da assinatura com o PS de um pacto que garantisse a paz com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia. Na alma dos apoiantes e na mente dos mais crédulos, formava-se um político com visão de Estado.
Mandou escrever para texto desse hipotético acordo frases tão graníticas como esta: "Os três partidos garantem o apoio parlamentar ao cumprimento das atuais medidas do Programa de Assistência Económica e Financeira." Toda a austeridade já programada e todos os cortes no Estado já anunciados não podiam, portanto, ser mexidos. Lapidar. Na alma dos apoiantes e na mente dos mais crédulos semeava--se um génio da tática política.
Conseguida a rutura socialista, saiu-lhe de uma vez a capitulação de Cavaco, de Portas e de Seguro, entalados no meio das suas diferentes contradições e fraquezas, em pânico com o resultado de umas eleições antecipadas para já. Todos eles, que não são almas apoiantes nem mentes crédulas, admitem tê-lo à frente do Governo até um longínquo 2015. Passos celebra a segurança institucional...
Esta história, que resultará, é certo, no aumento do drama social, da pobreza e da recessão, tem, a terminar, uma triste moral: mais uma vitória como esta de Passos "Pirro" Coelho e Portugal estará perdido. Para as almas críticas e para as mentes incrédulas, lúcidas, ganhou o governo de condenação nacional. Esperemos, apesar das probabilidades, que se enganem.


Pedro Tadeu, no DN