O "Fórum das Regiões", defende uma Região Norte coincidente com a actual região-plano (CCDR-N) e um modelo de regionalização administrativa, tal como o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

O "Fórum das Regiões", considera a Regionalização o melhor modelo para o desenvolvimento de Portugal e para ultrapassar o crescente empobrecimento com que a Região Norte se depara.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Fraudes & Fundações

 As fundações públicas devem ser extintas. As fundações privadas sem recursos têm de mudar de nome. E aquelas que, embora dispondo de meios, não perseguem um fim social visível, devem perder o seu estatuto de utilidade pública. Esta verdadeira limpeza levará à eliminação de centenas destas entidades. No final, restarão apenas cinco ou seis genuínas fundações.

Uma verdadeira fundação é uma entidade cujo instituidor, dispondo de meios avultados, de um fundo, decide disponibilizá-lo à comunidade para perseguir um dado desígnio social, um qualquer benefício colectivo.

Nesta perspectiva, as fundações públicas nem sequer são fundações. São departamentos públicos travestidos, cujo estatuto lhes permite viverem de forma clandestina. Os seus directores não estão sujeitos a regras da administração pública. Podem contratar negócios sem qualquer controlo, permitem-se ainda recrutar pessoal sem concurso. Utilizam os recursos públicos em função dos seus interesses e dos seus negócios privados.

Já quanto às actuais fundações privadas, podemos dividi-las em três grupos. Temos as que pretendem alcançar um fim social útil, mas vivem maioritariamente de recursos públicos. Assim, se não dispõem de fundos próprios, serão instituições de solidariedade, associações, mas jamais fundações. Devem mudar de regime.

Há um outro grupo cujos instituidores são pessoas de muitas posses que registam os seus bens em nome de fundações particulares, mas que nada dão à sociedade. Com este esquema, ficam isentos de pagar IRC na sua actividade, os seus terrenos e prédios não pagam impostos, como o IMT e o IMI. Até alguns dos seus carros ficam isentos de pagar imposto de circulação e imposto automóvel. Estes cavalheiros conseguem assim um paraíso fiscal próprio, verdadeiras "off--shores" em território nacional. Retirem-lhes pois o estatuto de utilidade pública.

Feito este expurgo, restará um restrito grupo de entidades criadas por aqueles milionários que decidiram legar parte da sua riqueza em benefício da sociedade que os ajudou enriquecer. São os casos de Gulbenkian, Champalimaud e poucos mais. Para honrar a sua memória, há que impedir que as suas organizações sejam confundidas com pseudofundações, casas de má fama geridas por oportunistas.

Por:Paulo Morais, Professor Universitário, no CM

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Povo enfiado numa só barricada

De cócoras perante as apertadas (e naturais) exigências dos credores, o País vive tempos de angústia e de turbulência política e social. Decisões canhestras e movimentos sequenciais de apunhalamento de princípios transformaram-se no caldo ideal para a efervescência da rua e o "abocanhamento" do Governo de coligação, agora sob tutela.
A austeridade, tendo tanto de mal explicada como de ausência de critérios de justiça - contraditórios com o lado facilitista de ir sempre aos bolsos dos mesmos - instituiu um clima de desespero e de indefinição de objetivos compreensíveis. O País vive, por estes dias, em estado de choque, cuja tendência é para o agravamento. Já só se espera o pior do pior....
É legítima a concentração do foco nas projeções de um Orçamento de Estado talhado para maior empobrecimento e fissura entre classes sociais. Já substituir uma natural preocupação e capacidade crítica por obsessão pura e simples é imprudente - e vale a pena desconfiar se tal não serve interesses estratégicos inconfessados.
Exemplo de como os portugueses não se devem comportar: a não reivindicação de transparência e aperto do escrutínio dos processos de privatização em curso.
À míngua de alternativas ou por puras questões de cariz ideológico, o País está a desfazer-se de ativos fundamentais. Em período de vacas magras, o Estado alienou as suas posições na EDP e na REN. Alguns milhares de milhões colocaram alguns olhos em bico de forma pouco compreensível. Raros ousam questionar as alíneas contratuais dos negócios. Champanhe! Champanhe, foi tudo quanto ficou à vista de todos.
Os processos de privatização têm, entretanto, novas etapas em marcha - e se contém matizes diferenciadoras, por não ser possível comparar a venda da TAP com a da ANA, ou a dos CTT e de parte das Águas de Portugal, há algo comum a todas: escassez de informação de processos cuja transparência deixa imenso a desejar e permite levantar suspeitas de conluios de que não se livram "advisers", escritórios de advogados e o poderio e influência imensa de um ministro virtual - logo não legitimado - António Borges, o senhor privatizações.
Dá-se de barato que o País está condenado a desfazer-se de ativos, alguns vendidos ao desbarato; mas é incompreensível tal suceder sem um crivo de exigência pública para que tais negócios se não processem de forma opaca.
A crise é uma boa razão para o Povo estar concentrado no combate e na reversão de decisões que lhe vão diretamente aos bolsos. Será, porém, avisado reservar-se um espaço para a exigência e a pressão sobre os decisores de venda de património do Estado. E até é de desconfiar se não há uma estratégia para focar os idadãos numa linha de combate enquanto se fecham negócios noutra barricada.

Fernando Santos, no JN

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Autarca da Maia diz que Governo tem de deixar de brincar às portagens e acabar com pagamento nas SCUT

Fórum das Regiões: O Presidente da Cãmara da Maia tem toda a razão, os governos andam a brincar às "SCUT`S"! E este particularmente, com isenções ou não isenções? Baixa do valor das portagens em 15%...trata-se de uma mera técnica de marketing...


O presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, aconselhou hoje o Governo a "deixar de brincar às portagens" e "acabar de vez" com as tarifas nas antigas vias Sem Custos para os Utilizadores: "Depois do que tenho ouvido sobre as Scut, de que estão a dar prejuízo, acho que o Governo devia era acabar com as portagens, devia isentar toda a gente", afirmou o autarca em declarações à agência Lusa.

Sublinhando que "as autoestradas, as áreas de serviço e os postos de combustível estão desertos e as indústrias estão a sair dos sítios onde as zonas de acessibilidade estão a ser portajadas, como é o caso da Maia", o autarca defende que "a melhor ideia era acabar de vez com as portagens".

"Qual é a receita que o Governo vai ter com as Scut se elas estão a dar prejuízo?", questiona Bragança Fernandes.

O presidente da Câmara da Maia, concelho onde confluem várias das ex-Scut, reagia ao anúncio feito hoje pelo Governo de redução em 15 por cento das tarifas para todos os utilizadores destas vias, na sequência do fim das isenções para as primeiras dez passagens mensais e descontos de 15 por cento para os residentes abrangidos por sete SCUT -- Costa da Prata, Grande Porto, Norte Litoral, Algarve, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior e Interior Norte.

Sobre as novas tarifas, as empresas transportadoras de mercadorias continuarão a beneficiar de um desconto adicional de dez por cento nas passagens, durante o dia, e de 25 por cento, à noite.

Para Bragança Fernandes, esta "atitude do Governo é para ajudar a resolver os problemas a nível nacional", mas um desconto de "15 por cento não é notório" e "vai continuar tudo na mesma".

"Deviam era estudar o assunto de fundo, de uma vez por todas, em vez de andarem a brincar às portagens", sustentou, acusando o Governo de "não falar com os autarcas".

"Este Governo está distante dos autarcas, quando devia falar connosco, porque sentimos na pele o pulsar da população e dos industriais. Tomam atitudes à medida que lhes dá na cabeça", lamentou Bragança Fernandes.

Como exemplo, o presidente da Câmara da Maia apontou o facto de a autarquia pagar mensalmente "cerca de 100 mil euros" de portagens, porque os camiões do lixo têm que passar um pórtico da A41 para chegar à Lipor e referiu o encerramento ou deslocalização de várias empresas do concelho.

Salientando que "a economia precisa que os transportes cheguem rápido aos locais", o autarca recordou ainda "os muitos acidentes que tem havido pelo uso das estradas municipais e secundárias" e que "custam, depois, muito dinheiro a tratar, não só os feridos, como as viaturas, para além pessoas que sofrem toda a vida ou perdem, mesmo, a vida".

"Tudo isto tem que ser levado em conta, por isso é que digo que acabem com as portagens de vez, deixem de andar a brincar às portagens e acabem com elas de uma vez por todas para tentar resolver o problema económico de Portugal", concluiu.

Fonte: Correio da Manhã

A autoflagelação do Governo

No curto espaço de um mês o Governo atirou uma espécie de bomba de neutrões sobre si próprio, desbaratando por completo o já de si precário elo de confiança com os cidadãos. Em bom português: a coligação governamental passou-se, quebrou o fraco elo de confiança e a disponibilidade dos cidadãos para sacrifícios. Erros de avaliação sucessivos e falência de projeções macroeconómicas geraram o divórcio.

É difícil explicar como Passos Coelho e os seus ajudantes trocaram o esfacelamento dos pés com uns tirinhos de pouca pólvora por um estágio superior de destruição. Abriram-se conflitos desnecessários ou fora de tempo, como no caso do processo de concessão, privatização ou lá o que for da Radiotelevisão Portuguesa; produziram-se declarações insensatas e pouco afetuosas e o botão nuclear foi acionado através do experimentalismo tolo de transferir o dinheiro dos bolsos dos trabalhadores para os dos patrões no caso da TSU. Um desastre!

Tamanha balbúrdia deu no que deu. O Governo ficou refém das contradições da coligação, do presidente da República e da rua. Não capitulou (ainda) mas está lá perto....

Reconhecer os erros e recentrar as políticas não são defeitos; são virtudes. Os sintomas, no entanto, não apontam para a regeneração mas sim para a continuidade de um haraquiri, agora vincado por novos efeitos: o ar apardalado de Passos Coelho e da maioria dos seus ajudantes agravou-se, é marcado pela acrimónia permanente. Quando o país precisa de serenar, as feridas abertas na relação entre governantes e governados não saram. Passos Coelho e os seus ajudantes não estão sitiados, mas parecem; são vaiados quando saem à rua e a segurança em seu redor aumenta; em número mas também em nervosismo.

A grave situação do país dispensava tanto disparate. E agora, antes que apareça um populista perigoso, como se sai daqui?

O primeiro-ministro mantém a legitimidade democrática. É ela suficiente para recuperar a credibilidade política deitada pela janela fora? Uma remodelação orgânica e de equipa governamental basta? E há quem esteja disposto a ser novo "compagnon de route" de um primeiro-ministro desgastado na tentativa de inverter uma marcha trágica para o abismo?

As respostas serão bem menos taxativas do que a convicção de que o país não dispõe de oposição preparada para assumir responsabilidades de poder, dispensa novas eleições ou um Governo de iniciativa presidencial.

Num quadro destes o mais assisado é o primeiro-ministro dispor de um tempo para refletir sobre algumas más influências que o rodeiam, postura para a qual é indispensável envolvê-lo num armistício - ainda que curto - da pressão insuportável e/ou insultuosa da rua e de uma certa "intelligentzia". Assim como assim, o remedeio de tanto estrago passa sempre pelo interior do atual arco partidário responsável pela governação.

Fernando Santos, no JN

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Orçamento que não queremos querer

Não é bem um Conselho de Ministros, é uma sala de tortura. Lá se reúnem os eleitos em maratona, desde ontem, preparando o Orçamento do Estado para 2013. Não é por falta de alternativas que os ministros temem. É precisamente por tê-las. Saberemos todos o que pedimos, quando pedimos que cortem a despesa?


O pedido é justo. Um matemático diria mesmo que é necessário. A troika diz que é obrigatório. E nós acrescentamos que o Governo falhou nisso. Quando acordou do sonho das gorduras, encontrou músculos e ossos. Quais deles vai rasgar e amputar agora?

Os impostos estão a matar a economia. Nem é necessário explicar porquê. Basta ver que um terço da austeridade prevista para o próximo ano decorre da recessão que a própria austeridade provoca ou agrava. E isto é admitindo que o PIB só cai 1% em 2013, o que já parece optimista. Não é preciso esperar por relatório nenhum para adivinhar que a actividade económica travou em Setembro, imediatamente após o anúncio de novas medidas de austeridade.

A redução do défice prevista para os próximos dois anos é tão dramática que exige cortes como nunca se fez. Cortes que se somarão à redução de pensões e de salários da função pública. Como vai o Governo cortar quatro mil milhões de euros nos próximos dois anos? Como vai o Governo fazer o que não fez, baixar de modo permanente o custo do Estado? Só assim será possível baixar impostos. E sem baixar impostos a economia não cresce, consome-se - some-se.

Baixar a despesa do Estado tem de ser mais do que cortar salários à Função Pública e pensões. Se a troika nos baixasse os juros, como aqui se tem defendido, seria mais fácil. Mas mesmo assim, é preciso reduzir a despesa primária. Por muito moralizador e importante que seja eliminar meia dúzia de fundações do Estado, isso pesa pouco na conta final.

"Cortar despesa" é desmamar muitas clientelas políticas. Reformar a administração local a sério é muito mais do que fundir freguesias, é desempregar muitos políticos. Baixar os custos do Estado é fechar institutos que não servem para nada senão para pagar os salários de quem lá anda.

Reestruturar empresas públicas a sério é muito mais que antecipar as reformas a duas mil pessoas e aumentar brutalmente as tarifas. Mesmo assim, esta é a parte fácil de exigir.

A parte difícil é outra. É perceber que "cortar despesa" além das reduções temporárias de salários significa fazer reduções brutais como provavelmente só o Ministério da Saúde fez este ano. E com esse custo social. Nem despedir todos os políticos parasitas bastaria. "Cortar despesa" é reduzir serviços nos hospitais, nas escolas, nos tribunais, sítios onde já há falta de meios. "Cortar despesa" é tirar dinheiro a muita gente, médicos, professores, militares ou polícias. "Cortar despesa" é fechar partes de empresas públicas e organismos do Estado. "Cortar despesa" é abrir um programa de rescisões entre os funcionários públicos, o que nunca foi feito - e que numa economia em recessão é dramático.

É isso que o próximo Orçamento do Estado vai trazer. Mais impostos. Cortes na despesa. E isso é, em qualquer caso, fazer das tripas de outros o coração da reestruturação do Estado. É obrigatório mudar a equação do Estado, tornando-o suportável e deixando os agentes económicos respirar dos impostos que agora os asfixiam. O que poucos assumem é o odioso do que quer dizer "cortar despesa". É amputar corpos. É isso que andamos a querer. É nisso que não queremos crer.


Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt

A economia em coma e nós, sós

A 30 de junho de 2011 Vítor Gaspar anunciou o corte do subsídio de Natal a toda a gente. No dia seguinte, o ambiente nas ruas era frio, apesar de ser verão. As pessoas tinham sentido pela primeira vez o fantasma da austeridade radical que aí vinha. Depois avançou-se para o corte aos funcionários públicos e pensionistas, aumentos do IVA (brutal no caso da restauração) e a economia começou a cair inexoravelmente. O desemprego nunca mais parou de subir. Mas a 7 de setembro deste ano, com o anúncio da TSU por Passos Coelho, o país gelou completamente. Entretanto a TSU cai mas chega a notícia do aumento do IRS, o do IMI e de mil coisas que não sabemos bem quais. Como se fosse assim: 'Ai não querem a TSU? Então tomem lá!'. E aí está a náusea. Um atordoamento. Estamos a tentar recuperar o quê? A economia? E a confiança para que isso aconteça?

O Governo lançou-se no precipício. Passos não tem nenhuma coisa boa para anunciar em concreto. Gaspar perdeu-se nos erros grosseiros das previsões falhadas do Orçamento de 2012. Com Cavaco a jogar 'mikado' com a crise, ficamos sós perante políticos que não sabem realmente o que fazer.

Sairmos daqui é muito mais difícil do que antes do anúncio da TSU. Até ali éramos o bom aluno da Europa. Hoje no "Financial Times" já somos o novo cancro escondido da Europa. A diferença é 'apenas' esta: os mercados perceberam que os portugueses perderam o ânimo, falharam todas as metas, precisam de mais tempo, vão precisar de mais dinheiro e, por fim, também um tão desejado/indesejado perdão de parte da dívida. É a Grécia, cá.

Mudar isto passa pela capacidade em exportar, e nesse campo temos feito quase tudo bem mas é muito pouco para nos tirar daqui. Já o corte das rendas excessivas dos grandes monopolistas tem corrido bastante mal. As portagens não desceram, o custo da energia vai ser cada vez maior porque os novos investimentos em barragens inúteis vão infernizar a conta nos próximos 30 anos, os combustíveis liberalizados funcionam em cartel implícito e, infelizmente, o país não está a fazer uma mudança acelerada de mobilidade tendo por base os transportes públicos. É sabido que 75% da nossa fatura energética é para gasolina e gasóleo. Não cortar aqui é continuar a atirar dinheiro pela janela. Cada um de nós deposita diariamente muitos euros nos bolsos de algum 'sheik' ou magnata russo e continua a cavar um buraco na conta das empresas de transportes públicos.

Por isso é preciso um coisa diferente: não adianta falar em crescimento. Não adianta prometê-lo. Não é possível para já. Temos de tentar alternativas: aquilo a que se chama 'less is more'. É empobrecer? Depende como olhamos para as coisas de que precisamos de abdicar. Exemplos: mais sustentabilidade ambiental e económica através de menos importações. Menos dívidas através de menos consumo supérfluo. Menos carros, portagens nas cidades, melhor ocupação dos transportes públicos, melhor eficiência energética (já repararam no crime sem nome que significa a EDP acabar com a tarifa bi-horária?). Precisamos de mais agricultura de proximidade, melhor escola (custa zero), mais gente a procurar oportunidades lá fora para responder a menos consumo interno, aeroportos bem geridos pelo Estado de forma a serem competitivos para o turismo e empresas exportadoras, bons portos, fixação de tetos máximos na energia e combustíveis - sozinhos eles enganam-nos. O Estado, obviamente, tem de reduzir alguma dimensão mas sem abandonar tudo aos leões do costume.

Sobretudo, se fosse possível escolheria uma medida, uma só, optaria por esta: acabar com o dinheiro físico. Os cartões são a solução inteligente e Portugal é o país da Europa ideal para experimentar esta medida. É a única maneira de atirar ao coração da economia paralela. Poderia criar-se um banco estatal só para gerir contas e sem comissões. Bastaria isto para mudar quase tudo nas contas públicas.

Estamos num beco onde a saída não é por onde estamos a ir. Há algum Governo disposto a mudar o paradigma económico? A queda desta República (e da União Europeia) vai ser coincidente com a queda do atual modelo económico. Está na hora de pensar diferente. É preciso coragem.

Daniel Deusdado, no JN

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um azulejo...verdadeiro!














Fórum das Regiões: Afinal ainda se encontram verdadeiras reliquias por este País fora. Digam, se este azulejo não espelha a realidade atual do nosso País?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Temos de deixar de ser lorpas

Há um par de meses, António Costa pôs o dedo no ar, declarando-se indisponível para guarda- redes do Benfica mas apto para liderar o PS. Estou 200% de acordo. Tudo é possível desde o episódio Roberto. E Dino Zoff foi campeão do Mundo aos 40 anos. Mas o António tem crescido para os lados os centímetros que lhe faziam falta em altura e não é novo - tem 51 anos e com essa idade já nem o Benje era guarda-redes.

Acho que ninguém, nem mesmo o atual secretário-geral, tem dúvidas. Costa é o socialista mais apto para liderar o partido. É tão melhor que até se resguarda na Câmara de Lisboa enquanto Seguro faz de lebre na corrida de fundo em que a meta são as legislativas de 2015. Só na última volta é que ele vai saltar do pelotão para sprintar e tentar a vitória eleitoral.

O Costa sabe-a toda. Sabiam que teve a arte de vender os esgotos de Lisboa à EPAL por 100 milhões de euros? Ou seja, que nós, contribuintes de todo o país, pagámos uma fortuna para sermos donos das tubagens onde circulam águas limpas e sujas evacuadas por meio milhão de lisboetas e provenientes das suas sanitas, lavatórios e urinóis? Cheira bem, cheira a Lisboa? Até me arrepio só de pensar nisso!

Sabiam que vamos comprar por seis milhões de euros os terrenos onde está o CCB? Sabiam que lhe pagámos 286 milhões de euros para Lisboa não atrapalhar a privatização da ANA e reconhecer a propriedade do Estado sobre os terrenos do aeroporto, alvo de disputa porque, quando os adquiriu, Duarte Pacheco acumulava o Ministério das Obras Públicas com a presidência da Câmara de Lisboa e havia dúvidas sobre qual conta passou o cheque?

O António é um finório que aproveita o dinheiro que lhe damos para brilhar, alindando Lisboa com obras tão catitas como a pasteurização do Intendente, enquanto a SRU Porto Vivo não tem dinheiro para mandar cantar um cego.

Ele é finório e nós somos burros se não aproveitarmos o caminho desbravado. Após dez anos em que ficou a meio caminho entre o sujeito e o complemento direto, Rio parece ter finalmente percebido que nas relações com o Terreiro do Paço não pode ter medo de usar os cotovelos e deve falar alto e com voz grossa - com um pau na mão direita e um frasco de mel na esquerda.

Os terrenos do Sá Carneiro foram comprados pela Câmara do Porto. Pois bem, Rui, não sejas parvo, ameaça sabotar a privatização da ANA se não formos indemnizados.

Em 2004, na conversão da STCP em SA de capitais públicos, o Estado apropriou-se de terrenos e prédios que eram do município. Pois bem, Rui, fazes muito bem em exigir que ou nos devolvem os imóveis ou nos pagam uma indemnização.

E a imaginação é o limite. Por que não vendermos o Parque da Cidade à Cristas (tem a tutela do Ambiente), por uns 100 milhões de euros? Por que não vender os terrenos da Casa da Música ao Viegas (manda na Cultura) por uns dez milhões? Temos de deixar de ser lorpas.


Jorge Fiel, no JN

Escritora recusa-se a receber prémio de Passos Coelho

Fórum das Regiões: Felizmente que ainda há mulheres "que os têm" no sítio! Ao contrário daquele bando de energumenos que seguem cegamente os ditos "líderes" (partidos políticos)...


Maria Teresa Horta

Escritora recusa-se a receber prémio de Passos Coelho

A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance "As Luzes de Leonor", disse hoje à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto.

A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para a próxima sexta-feira, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

"Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país", explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

"Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência", salientou a escritora que acrescentou: "Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores".

Para Maria Teresa Horta, "o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural".

A autora afirmou que "o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto".

"Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro", deixou claro Maria Teresa Horta

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Passos joga ao sete-e-meio

Sabem jogar ao sete-e-meio? É muito simples. Usam-se apenas 40 cartas do baralho, ficando de fora oitos, noves e dez. As figuras valem meio, o ás conta por um e as outras cartas, do duque à manilha, são contabilizadas pelo seu valor nominal.
O banqueiro dá uma carta, escondida, a cada jogador, que tem de decidir logo se fica ou se quer mais uma - e nesse caso tem de escolher qual delas fica aberta na mesa, se a nova ou a primeira - e assim sucessivamente até optar por parar.

No final, o banqueiro (chamado de dealer, na versão internacional do jogo, que dá pelo nome de blackjack, usa o baralho todo, tem um sistema de contabilização um pouco diferente em que a meta é fazer 21 pontos) vai tirando cartas para si até se dar por satisfeito.

Quem fizer mais de sete e meio rebenta - ou seja, perde. Em caso de empate, ganha o banqueiro. O objetivo de cada jogador é fazer sete e meio. Se o conseguir fica com a banca, isto se o banqueiro não tiver a sorte de igualar a pontuação que dá o nome ao jogo.

Se pensarmos bem, a nossa vida, em todos os seus aspetos - desde o profissional ao afetivo, passando pelo social - é uma sucessão permanente de jogos de sete-e-meio.

Encontrar a nossa companhia perfeita é como jogar ao sete-e-meio. Temos uma sena e temos de tomar uma decisão. Ficamos ou pedimos mais uma carta? Jogamos pelo seguro ou vamos tentar ser mais felizes, perseguindo o sete e meio?

A equação da decisão de mudarmos ou não de emprego é igual à do jogador do sete-e-meio. Tens uma quina e um duque - sete pontos, portanto. Ficas-te ou pedes mais uma carta, na esperança que te saia uma dama, valete ou rei? Jogas pelo seguro ou vais tentar fazer sete e meio, apesar de correres o risco de rebentares?

Os políticos também estão sempre a jogar ao sete-e-meio. Passos Coelho tinha na mão um terno e uma figura. Três e meio. Como se tratava de jogo era demasiado baixo para ganhar e precisava de fazer sete e meio para igualar o resultado de um jogador, arriscou a cartada de transferir dinheiro do salário dos trabalhadores para os bolsos dos patrões, através de mudanças na TSU, que se revelou desastrosa. Saiu-lhe um sete e ele fez dez e meio. Rebentou com estrondo, perdendo a banca e a iniciativa do jogo.

O drama do primeiro-ministro é que tudo leva a crer que só lhe resta uma única oportunidade para ir a jogo e recuperar a iniciativa. É na sexta-feira. O busílis é que não lhe basta ganhar, ter a sorte de lhe sair uma sete como primeira carta e ficar-se. Não. Tem de fazer sete e meio para reganhar a banca.

Para conseguir esse jogo perfeito, Passos não pode ter medo de ousar recuar na sua proposta peregrina sobre a TSU. Porque, como nos avisou Kierkgaard, ousar é perder momentaneamente o equilíbrio. Mas não ousar é perder-se.

Jorge Fiel, no JN