O "Fórum das Regiões", defende uma Região Norte coincidente com a actual região-plano (CCDR-N) e um modelo de regionalização administrativa, tal como o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

O "Fórum das Regiões", considera a Regionalização o melhor modelo para o desenvolvimento de Portugal e para ultrapassar o crescente empobrecimento com que a Região Norte se depara.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

O "lado positivo"

Conta-se a história daquele operário da construção civil que gemia sob um bloco de cimento que lhe caíra em cima e de quem alguém, provavelmente um primeiro-ministro, se aproxima e pergunta: "Dói muito?". O infeliz terá respondido: "Não, só quando me rio".

A história fica-se por aqui mas, depois da mensagem de Passos Coelho aos desempregados, não é difícil imaginar como terá prosseguido, com o tal primeiro-ministro a lembrar ao "piegas" que a paraplegia "não pode ser um sinal negativo (...), tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida". Pode, por exemplo, digo eu, representar a oportunidade de uma carreira paraolímpica.

O humor negro de Passos Coelho, dirigindo-se àqueles sobre quem diariamente cai o bloco de cimento da austeridade para lhes mostrar o "lado positivo" da situação, com a sua crítica à "pieguice" ou o conselho aos jovens para que façam a trouxa e desapareçam, daria o livro de autoajuda em tempos de crise que Max Aub nunca escreveu.

Temos todos muito que aprender com o espírito positivo de amigos de Passos Coelho como Eduardo Catroga, que juntou 45 000 euros mensais na EDP à pensão de 9600 euros que já recebia, lembrando que esse facto devia ser visto pelo "lado positivo": "50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais eu ganhar, maior é a receita do Estado (...) para políticas sociais".

Manuel António Pina, no JN

Mais cm2, menos cm2

Um pequeno incidente marcou a chegada desta primavera chuvosa. A 20 de março, fiz nesta Praça da Liberdade uma pergunta retórica: "Para que serve o presidente da República?", a que dei uma resposta disfarçada de conselho: "Não vale responder: para torrar 17 milhões de euros/ano, que é quanto custa manter a Presidência da República, cujos gastos subiram 31% nos cinco anos do primeiro mandato de Cavaco".

Esta frase, que gastou 10 cm2 do nosso JN (e usou números publicados e nunca antes desmentidos), não caiu bem em Belém, que enviou uma clarificação logo publicada, ocupando 248 cm2 da edição de 21 de março, o que coloca duas questões.

Faz sentido dar à clarificação de uma frase um espaço 24,8 vezes superior ao ocupado pela frase que clarifica?

Apesar de um não ser muito tentador, eu respondo que sim. Sim, porque o respeito que a Presidência da República (PR) nos deve merecer exige que lhe seja concedida toda a latitude para esclarecer a maneira como ela gasta os dinheiros públicos.

Quem tem razão? Eu ou Cavaco? Aqui a resposta certa é os dois. Belém diz que em 2006, no ano em que Cavaco assumiu funções, o Orçamento da PR foi de 17 milhões de euros. É verdade. Eu digo, em 2006, a verba inscrita no Orçamento para o funcionamento da PR foi de 14,1 milhões. Também é verdade. Uma coisa é verba inscrita outra é verba gasta. Belém diz que tem vindo a diminuir as despesas e compara os 17 milhões, gastos em 2006, com os 15,1 milhões inscritos no Orçamento 2012. É verdade. Eu digo que comparando o último ano completo de Sampaio com o primeiro de Cavaco, as despesas de funcionamento da PR subiram 2,53 milhões, ou seja 19%.

Podia estar aqui a gastar cm2 de jornal a fazer comparações, dispondo os números à luz da perspetiva que melhor ilustra o meu ponto de vista, mas sinto que não só não posso (o espaço desta crónica é finito: 220 cm2) como também não devo fazê-lo.

Não sei se deva comparar os 16 milhões de euros que PR portuguesa gastou em 2011 com os 8 milhões de euros gastos nesse ano pela Casa Real espanhola.

Sei que corro o risco de passar por monárquico ao comparar os 1, 6 euros que Belém custa, em média, a cada português, com os 0,93 euros que a Coroa britânica custa aos seus súbditos, ou os 55 cêntimos per capita que os suecos pagam para manter o Carlos XVI Gustavo, rainha Sílvia e respetiva família.

E não quero parecer demagógico ao comparar os 500 funcionários dependentes do Palácio de Belém com os 400 ao serviço do Palácio de Buckingham.

Se calhar vou abster-me de criticar o que me parece serem os gastos excessivos de Belém, porque, como bem sublinhou a PR na sua clarificação de 248 cm2, os 16 milhões de euros cobrem também as despesas do Museu da Presidência, o Conselho de Estado e os conselhos das ordens honoríficas, bem comos gabinetes dos anteriores chefes de Estado - e se Eanes é austero (no seu tempo a PR gasta 163 vezes menos que agora), já não ponho as mãos no fogo por Soares, que noutro dia até queria pôr-nos a pagar os 300 euros de multa que apanhou por ser apanhado a 200 à hora.

Jorge Fiel, no Jn

Portugal entre os cinco países da OCDE onde o emprego mais recuou

Fórum das Regiões: Porque será que, sim!!!...

Portugal é o 5.º país da OCDE onde a taxa de emprego mais caiu desde o início da crise, recuando 5,5 pontos percentuais entre o segundo trimestre de 2008 e fins de 2011.

De acordo com dados hoje divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a taxa de emprego (proporção de pessoas empregadas entre os 15 e os 64 anos) em Portugal passou de 68,5% no segundo trimestre de 2008 para 63% no quarto trimestre de 2011.

A Irlanda, com um recuo de 9,1 pontos percentuais, a Grécia, com menos 8,2 pontos percentuais, a Espanha, com menos 8,1 pontos percentuais, e a Islândia, com menos 5,8 pontos percentuais, foram os países da OCDE onde a taxa de emprego mais regrediu.

Segundo a OCDE, Portugal surge também no grupo de países -- a par da Dinamarca, Grécia e Islândia - onde a taxa de emprego entre os jovens (com 15 a 24 anos) diminuiu 10 ou mais pontos percentuais desde o início da crise.

No caso da Irlanda e de Espanha, este recuo foi superior a 15 pontos percentuais.

Globalmente, a taxa de emprego nos países da organização fixou-se nos 64,9% no quarto trimestre do ano passado, menos 1,6 pontos percentuais do que os 66,5% registados no segundo trimestre de 2008

Fonte Jornal de Negócios

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O drama da mitologia benfiquista

Há muitos anos, os nossos antepassados inventaram deuses para explicar fenómenos - o vento e a chuva, o sol e a lua, o fogo e a tempestade, o dia e a noite - para os quais não tinham explicação, e organizaram religiões com o objetivo de influenciar os humores imprevisíveis da mãe Natureza.

Bastante empreendedores, como está documentado pela capacidade de construírem as pirâmides do alto das quais 43 séculos de História nos contemplam, os antigos egípcios arquitetaram uma narrativa religiosa bastante completa, onde, por exemplo, Rá, deus do Sol, cuspiu Shu, deus do Ar, e Tefnut, deus da Humidade.

No panteão de deuses egípcios, Ísis encarregava-se dos seres vivos, mas nem o futuro (Osíris superintendia a todo o processo da jornada até ao Além) nem os sentimentos - Seth era a divindade que tratava do ódio - eram negligenciados.

Interesseiros, os gregos abriram espaço na sua mitologia para Hermes, deus dos comerciantes, a quem rezavam e dedicavam o sacrifício de animais, na tentativa de o satisfazer e melhorarem as vendas.

Coube aos hebreus o louvável esforço de racionalização desta confusão panteísta de adoradores de uma multidão de deuses.

Abraão foi, à época, o equivalente à Maria Manuel Leitão Marques, o rosto do Simplex religioso, da fundação de uma religião monoteísta, em que um só Deus, todo poderoso, responsável por toda a Criação, que se ocupa em regime de acumulação de todos os pelouros - e a quem os fiéis podem recorrer seja qual for a índole da sua aflição.

Nove em cada dez dos seis milhões de benfiquistas refugiaram--se na religião para achar uma explicação para a esmagadora hegemonia portista no nosso futebol.

Os panteístas atribuem as culpas a efeitos conjugados da ação malfazeja de alguns anjos e demónios, como Jesus (o Jorge), Vítor Pereira (o dos árbitros), Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa. Outros, monoteístas, optam por culpar apenas os árbitros por todas as suas desgraças.

Como portista e agnóstico compreendo a desorientação teológica que se apoderou dos benfiquistas. A moderação da minha satisfação pela conquista do bicampeonato deve-se ao facto de por mais de uma vez ter festejado tris, tetras e até um penta. Mas para se gabar de ter vivido um bi, um benfiquista tem de ter pelo menos 28 anos -e um sportinguista 59 anos!

Enjeitar as responsabilidades pelas derrotas e fracassos, atirando- -as para as costas largas da arbitragem, não é o caminho certo para os benfiquistas contrariarem o domínio azul e branco e devolverem algum suspense à indústria do futebol.

Demonizar os árbitros e sacrificar animais à Fortuna (a deusa romana da Sorte) é o drama da mitologia benfiquista. Para voltar às vitórias, o Benfica tem de aprender com Minerva (a deusa romana da Sabedoria) a lição de que as vitórias portistas são filhas da combinação de talento com competência e muito, muito, trabalho. Só assim a sua fé no futuro terá fundamento.

Jorge Fiel, no JN

Pacheco Pereira: Pingo Doce mostra "o retrato fidedigno da nova pobreza"

Pacheco Pereira viu humilhação no caso Pingo Doce e critica a campanha que demonstra a necessidade das pessoas. Isto pode ser um rastilho para a conflitualidade. Para o sociólogo o que aconteceu mostra o empobrecimento das pessoas.

 
Pacheco Pereira, do PSD, foi o mais crítico, dos comentadores da Quadratura do Círculo na SIC Notícias, da campanha do Pingo Doce e do que ela mostrou. “Custa-me fazer isso em relação a uma pessoa que tenho consideração [Alexandre Soares dos Santos], a quem o País muito deve, mas cometeu um erro”. Pacheco Pereira até admite que o Pingo Doce possa não ter previsto todas as consequências, “mas há um saldo negativo quer para o país quer para o Pingo Doce”.

 
O ex-deputado social-democrata lembra que o país está numa situação peculiar, é como se fosse uma loja de cristal e, por isso, “é preciso cuidado”.

 
Para o sociólogo, há uma assimetria grande entre quem foi às lojas aproveitar os descontos e quem tomou a decisão de fazer a promoção. Para Pacheco Pereira também não é normal ter sido feita esta acção no dia 1 de Maio. Aliás, o ex-deputado do PSD foi o único a relevar a data em que foi feita a acção. Tanto António Costa, como António Lobo Xavier desvalorizaram a coincidência. Para Pacheco Pereira, não havia necessidade de se ter realizado esta campanha a 1 de Maio.

 
“Há muita gente que está a sofrer e com muita dificuldade e, não se podendo evitar o sofrimento e a austeridade, há, no entanto, que ter extremo cuidado no tratamento das pessoas, em particular com a sua dignidade”. Para Pacheco Pereira houve, nesta acção, humilhação de algumas pessoas. “Posso atirar um saco de moedas ao ar e as pessoas atiram-se para apanhar. Foi um bocado o que aconteceu. Quem foi lá apanhar as moedas ficou contente, mas sabe que se teve de se pôr no chão. E aí há uma certa humilhação”.

 
Pacheco Pereiro falava das pessoas que diz ter visto, nas imagens que lhe chegaram, com vergonha de estarem naquelas filas, sujeitas a demoras de horas para serem atendidas, algumas a arrastar os sacos pelo chão. Ainda assim também não descarta a hipótese de ter havido pessoas a acorrerem ao Pingo Doce para revenderem ou noutros casos os pobres que não escondem a sua condição natural. O que chocou Pacheco Pereira foram as pessoas que não sendo pobres estão a empobrecer. “São o retrato fidedigno da nova pobreza”. A campanha demonstra “um princípio absoluto de necessidade” das pessoas que “têm de ser tratadas com muito respeito e cuidado”.

 
Para o sociólogo, “isto gera mais conflitualidade do que outras situações, não há nada melhor para gerar conflitualidade do que a humilhação das pessoas”.

E aponta também bateriais ao Governo. Hoje o poder “tem uma linguagem muito eufemística em relação ao empobrecimento. Há maneira de fazer diferente. Há muitas maneiras, nomeadamente não enganar as pessoas”.


Jornal de Negócios  Online - negocios@negocios.pt


Comentário do Fórum das Regiões: O FdR não vê qualquer problema de legalidade na campanha do "Pingo Doce", aliás vender mais barato que os outros, é isso que se pede num País onde a concorrência resulta da Democracia! O Dumping invocado, já devia fazer parte do léxico passado. O problema é que este tipo de marketing só resulta em países pobres e do 3º Mundo, o que infelizmente é aquilo que nós somos...! Num país desenvolvido, estas técnicas de marketing não têem sucesso. Miséria nossa!

Rendas políticas

A ideia de que o Governo aldraba a troika até podia ser simpática e desculpável se isso significasse uma tentativa de poupar os portugueses a mais sacrifícios.

Mas não, o Governo carrega na austeridade em cima de uma pobre classe média, cada vez mais pobre e menos média, e adia esforços, mantém contratos e regalias inaceitáveis com quem já tem uma posição de privilégio na sociedade. Chega até a ‘suavizar’ os números das rendas excessivas da electricidade para que os beneficiados do costume não fiquem a perder com as exigências da troika.

O relatório do secretário de Estado da Energia que se demitiu e que foi chumbado pelo Governo, apesar de ter por base um estudo da Universidade de Cambridge encomendado pelo próprio Governo, dizia que era preciso cortar 165 milhões por ano no que a EDP cobra a mais aos consumidores na factura da luz. Já no relatório de Carlos Moedas para a troika, esses cortes ficaram-se nuns miseráveis 4 milhões. Entre um e outro apenas houve as críticas feitas por António Mexia ao estudo dos ingleses e a que terá tido acesso poucas horas depois de ter sido entregue ao Governo, segundo Henrique Gomes.

Mexia está no seu papel, ao não querer menos rendimentos à empresa que gere. Não é ele o mau da fita, e, se faz pressões, há quem ceda a elas, mas também há quem se demita porque não quer ceder. Estranha é a razão por que há no Governo quem defenda os interesses da EDP, sendo ela privada, e se esteja nas tintas para os interesses dos portugueses, que vêem cerca de metade do que pagam da factura da luz ir para os tais "custos políticos".

Eduardo Catroga e Carlos Moedas, que se juntaram para as negociações do orçamento para 2011, também se uniram, no programa eleitoral do PSD, para defender uma nova política energética preocupada com os custos das famílias e que visava a redução dos défices tarifários. Agora que está no Conselho Geral da EDP, Catroga já não pensa assim, e, pelos vistos, Moedas voltou a estar com ele, reduzindo quase a zeros os cortes para a empresa. Certo é que, passado quase um ano, está tudo por fazer e não há semana em que Passos Coelho não junte ao seu arzinho de bom rapaz um ar indignado para prometer uma razia. Quatro milhões? Está a brincar!...


 
Por:Manuela Moura Guedes, Jornalista

Passos Coelho: "Baixos salários é modelo de empobrecimento"

Fórum das Regiões: Esta intervenção feita por PC no fórum da COTEC foi de manhã ou de tarde? Se foi pós almoço, se calhar há algumas explicações. Só agora é que ele descobriu isto?

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que que modelo assente em baixos salários não é de crescimento, mas sim de empobrecimento.

Passos Coelho defendeu ainda que "Portugal manterá com total firmeza as condições para garantir que terá a sua conta pública controlada", depois de se referir à evolução da despesa pública prevista no Documento de Estratégia Orçamental.

Durante a abertura do Conselho para a Globalização 2012, em Cascais, o chefe do Executivo defendeu que o objectivo de "controlar as contas públicas " implica "regressar a um patamar de despesa pública que seja compatível com as possibilidades tributárias dos portugueses e, portanto, a nível anterior ao da eclosão da crise"

Em seguida, o primeiro-ministro considerou que o Documento de Estratégia Orçamenta aprovado pelo Governo na segunda-feira, "que projecta a evolução dessa despesa para os próximos anos, aponta claramente para esse objectivo", acrescentando. "Portugal manterá com total firmeza as condições para garantir que terá a sua conta pública controlada".

O Conselho para a Globalização é um fórum organizado pela COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação e pela Presidência da República. Segundo a organização, a edição deste ano conta com a participação de "portugueses da diáspora que ocupam lugares de destaque nas empresas onde colaboram".

Jornal de Negócios

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Noruega desfaz-se de toda a dívida portuguesa

Fórum das Regiões: Porque será?

O fundo que é gerido pelo banco central da Noruega vendeu todas as obrigações portuguesas e irlandesas e reduziu o investimento em títulos espanhóis e italianos no primeiro trimestre. A Zona Euro enfrenta "desafios consideráveis", considera.


O fundo de pensões do Norges Bank vendeu toda a dívida portuguesa que tinha em carteira nos primeiros três meses do ano. As obrigações irlandesas também desapareceram desta aplicação.

O fundo de pensões global norueguês “vendeu todas as dívidas soberanas portuguesas e irlandeses no primeiro trimestre”, indicou a empresa num comunicado presente no site do Norges Bank Investment Mangament, o banco central da Noruega, que gere o fundo de pensões.

A decisão de desinvestimento aconteceu num período de recuo das rendibilidades exigidas pelos investidores para trocarem dívida portuguesa, que desceram para níveis anteriores ao resgate financeiro a Portugal.

“A previsibilidade é importante para um investidor a longo prazo e a Zona Euro enfrenta desafios consideráveis a nível estrutural e monetário”, afirmou Yngve Slyngstad, o CEO do Norges Bank Investment Management (NBIM), no comunicado, para justificar a decisão.


Portugal e Irlanda não foram casos únicos no desinvestimento. Foram também reduzidas as apostas em dívida soberana de países, “incluindo Itália, Espanha e Reino Unido”, de acordo com o documento. No primeiro trimestre, intensificou-se o receio de que Espanha possa ter de recorrer a uma forma de assistência financeira para conseguir evitar o incumprimento.

O aumento de compras em Obrigações do Tesouro norte-americano foi uma realidade, anunciou, pelo contrário, o fundo de investimento nórdico. A opção foi também adquirir obrigações emitidas pelo Brasil, México, Índia, Coreia do Sul e Indonésia, apontou o fundo de investimento.

O fundo de pensões global da Noruega reduziu os investimentos em obrigações soberanas denominadas em euros de 43%, no final do ano passado, para 39%, no final de Março, como salienta a agência Bloomberg.
No que diz respeito ao mercado accionista, o fundo soberano Norges Bank é, ainda assim, um dos que mais investe em cotadas portuguesas. Como calculou o Negócios, o fundo soberano como um todo, e não especificamente o fundo de pensões, detinha 495,2 milhões de euros em empresas de Lisboa no final de Abril.

O valor de mercado do fundo de pensões norueguês aumentou para 3.496 mil milhões de coroas norueguesas (462,8 mil milhões de euros), tendo sido impulsionado, sobretudo, pelo desempenho do mercado accionista.

Diogo Cavaleiro  - diogocavaleiro@negocios.pt

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Stiglitz diz que austeridade está a empurrar Europa "para o suicídio"

O economista e vencedor do prémio Nobel, Joseph Stiglitz, afirmou hoje que a Europa está numa situação complicada devido às medidas de austeridade que estão a empurrar o continente "para o suicídio".

"Nunca houve um programa de austeridade bem sucedido num país grande", declarou o economista de 69 anos aos jornalistas, quinta-feira, em Viena, citado hoje pela Bloomberg.

"A abordagem europeia é, sem dúvida, a menos prometedora. Penso que a Europa caminha para o suicídio", salientou.

Os governos dos 27 estados-membros da União Europeia estão a aplicar medidas de austeridade que atingem os 450 mil milhões de euros, numa altura em que se vive uma crise da dívida soberana.

A dívida da zona euro disparou, no final do ano passado, para valores recorde desde que foi criada a moeda única, à medida que os governos aumentavam os empréstimos para travar os défices orçamentais e financiar resgates aos países com mais dificuldades.

Se a Grécia fosse o único país europeu a aplicar medidas de austeridade, os responsáveis europeus poderiam ignorá-lo, considerou Stiglitz, "mas com o Reino Unido, a França e todos estes países a sofrer a austeridade é como se fosse uma austeridade conjunta e as consequências económicas vão ser duras".

Embora os líderes da zona euro "tenham percebido que a austeridade por si ó não funciona e que é preciso crescimento", não houve ações nesse sentido "e o que acordaram fazer em dezembro é uma receita para garantir que vai morrer", afirmou, referindo-se ao euro.

E acrescentou: "A austeridade combinada como os constrangimentos do euro é uma combinação fatal".

Stigltiz admite uma zona euro de "um ou dois países", constituída pela Alemanha e possivelmente a Holanda e a Finlândia, como "o cenário mais provável se a Europa mantiver a abordagem de austeridade" que levará a altos níveis de desemprego, como o de Espanha que atinge 50 por cento nos jovens desde a crise de 2008, "sem esperança de melhorias nos próximos tempos".

"O que estão a fazer é destruir o capital humano, estão a criar jovens alienados", alertou.

Para impulsionar o crescimento os líderes europeus terão de redirecionar as despesas públicas para "utilizar ao máximo" instituições como o Banco Europeu de Investimento e introduzir impostos que melhorem o desempenho económico

Fonte: Jornal I

A maior ameaça ao 25 de Abril

O JN publica nesta edição um conjunto de conteúdos em torno do essencial do 25 Abril: a descolonização, a democracia e o desenvolvimento. Não valendo a pena chorar sobre o leite derramado, ou seja, sobre os termos do processo de democratização ou de consolidação do regime, importaria que nos concentrássemos no que ainda possamos fazer sobre o único processo ainda em curso: o do desenvolvimento.

Encerrado que está o ciclo do desenvolvimento básico, importaria percebermos que, muito para além das partidarizações paroquiais, as grandes ameaças ao regime saído do 25 de Abril são de natureza global. Verdadeiramente, são as mesmas que ameaçam a Europa nos seus níveis de qualidade de vida e de garantias sociais.

Essas ameaças, que são nossas por estarmos inseridos numa comunidade de nações que respeitam o Estado de direito e partilham o mesmo modelo social, estão sinalizadas por vários analistas políticos: o crescimento do comércio mafioso encontra na União Europeia atual um enorme campo para entrar e circular no mundo financeiro do capitalista como se de negócio limpo se tratasse. Refiro-me à permeabilidade de um território sem fronteiras, à inoperância das leis relativas à circulação de capitais e à exposição à corrupção em que acabam por cair figuras públicas que não conseguem gerir adequadamente o objeto da política e permitem que interesses particulares alcancem a dimensão de interesse público sem o mínimo cotejo quanto à sua utilidade social.

Embora já nos seja possível ir verificando quanto a Europa está a pagar com língua de palmo a concorrência desleal de países para os quais transferiu tecnologia e que, não sendo verdadeiramente democracias, conseguem, agora, colocar no nosso mercado global produtos a preços ditados por salários, horários de trabalho e condições laborais abaixo de cão, ainda há uma parte muito grande desse mercado negro que escapa aos olhos mais leigos.

Ainda assim, as tolerâncias da Europa para com os circuitos desse comércio negro já vão sendo sinalizadas nos relatórios das polícias de investigação. O último que li, da nossa Polícia Judiciária, identifica como portas de acesso ao branqueamento de capitais personalidades particularmente expostas e gabinetes de homens de leis.

Não sendo uma novidade completa, esta identificação das portas de branqueamento de capitais exige uma nova resposta europeia em que Portugal deveria ter o papel inerente à sua posição geoestratégica e às suas relações internacionais.

Se a Europa não enfrentar as suas próprias fragilidades, é provável que a democracia, tal como a conhecemos, acabe por sucumbir à força dos fabulosos lucros ilícitos gerados no mercado negro e lavados pela nossa tolerância.

Manuel Tavares, no JN