O "Fórum das Regiões", defende uma Região Norte coincidente com a actual região-plano (CCDR-N) e um modelo de regionalização administrativa, tal como o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

O "Fórum das Regiões", considera a Regionalização o melhor modelo para o desenvolvimento de Portugal e para ultrapassar o crescente empobrecimento com que a Região Norte se depara.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quando o corte de salários não é boa notícia

O Governo quer cortar os salários dos dirigentes da Administração Pública através da extinção de cargos e da alteração de níveis hierárquicos. A medida é boa? A parte positiva é que responde a uma preocupação imediata, de corte de despesa corrente. A parte negativa é que a medida arrisca ser um tiro no pé. E não tinha de ser assim: o Governo podia aproveitar a situação de necessidade em que o País está para proceder a uma verdadeira reestruturação da Administração Pública, tornando-a mais eficiente. Desde logo introduzindo um sistema eficaz de avaliação de desempenho dos quadros que a dirigem. De que serve reduzir a remuneração dos dirigentes sem olhar para a sua produtividade (a não ser para degradar a qualidade de serviço das "ilhas de excelência" que ainda existem nos serviços do Estado)?
Para surfar a "onda populista", que defende frugalidade nas remunerações do Estado, o Governo quer mostrar serviço. Pelo caminho mostra que não aprendeu nada com a passagem de Paulo Macedo pela DGCI: o sucesso da sua "comissão de serviço" foi a confirmação de que um salário não se mede pelo seu valor absoluto, mas pelo retorno que quem o aufere "entrega" a quem o contrata. É difícil explicar isso a uma opinião pública cada vez mais consciente de que há filhos (os que não sentem a austeridade) e enteados (os mais afectados pela crise)? É. Mas a melhor forma de resolver o problema não é cortar no músculo (salário dos dirigentes competentes), mas sim na gordura (os "boys" que auferem salários pornográficos e custam milhões ao contribuinte).
08 Fevereiro2011 Camilo Lourenço

Licença para fazer disparates

De cada vez que se fala em colocar limites àquilo que os Estados podem gastar, cai o Carmo e a Trindade. Vem isto a propósito de a Alemanha querer obrigar à constitucionalização dos limites aos défices orçamentais e endividamento público dos países do Euro.
Os opositores à ideia (no PSD incluem personalidades como Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite) dizem que constitucionalizar estas matérias é manietar os Governos. No PS, Vieira da Silva diz que se estas regras estivessem em vigor, teriam impedido a resposta do Governo à crise de 2009. É verdade que os governos ficam (mais) manietados com estas regras. Mas a questão não é essa; é saber a relação custo-benefício: a liberdade orçamental traz mais vantagens ou mais problemas?
A resposta poderia passar por um simples "Mande-se estudar que impacte tiveram as tais medidas do Governo" antes de tomar uma decisão. Eu prefiro outro exercício, mais elucidativo. Faça-se o gráfico da despesa e endividamento público de 1977 a 2010. A conclusão é inevitável: o Estado perdeu o juízo. Literalmente! Em 1977 a despesa pública pesava apenas 28% no PIB; em 2010 chegou quase aos 48%.
Ninguém viu o que estava a acontecer? É claro que viu. Só que nenhum dos partidos do "Arco do Poder" se preocupou com isso. Em nome da liberdade orçamental (vulgo necessidade de estimular a economia); perdão… em nome dos lobbies que os manietam.
Para os defensores da liberdade orçamental fica uma pergunta final: se os partidos encheram a CRP de limitações (algumas delas absurdas), porque não introduzem mais uma? É que esta pelo menos defende os contribuintes.
09 Fevereiro2011 Camilo Lourenço
camilolourenco@gmail.com

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

TERÁ SIDO ABERTA UMA NOVA CAIXA DE “PANDORA”?

Todos nós, legitimamente, poderemos questionar-nos se as eleições para a Presidência da República abriram uma nova caixa de “Pandora” no panorama político interno.

Das eleições presidenciais do passado dia 23 de Janeiro, resultou, de facto e tal como “determina a história”, a vitória do candidato presidente. Cavaco Silva tem pela frente os últimos 5 anos da sua carreira política, para se regenerar daquilo que não fez no primeiro mandato.
Mas há mais vencedores neste acto eleitoral. Desde logo, José Sócrates, que com a decisão estratégica do apoio a Manuel Alegre, ganha, porque arruma duma vez por todas com este e porque mantém na presidência quem ele queria. Alguém duvida que Sócrates preferia Cavaco a Alegre na presidência? Será que Sócrates votou em Alegre? Pessoalmente eu duvido disso.
Por outro lado ganha a abstenção com 53,7% de não-voto. Se levado a rigor o enquadramento legal aplicável aos referendos, onde com mais de 50% de abstenção, este não é vinculativo, então teremos no poder um não-presidente.
Ganha ainda a frustração, o cansaço e o protesto, contra um sistema político podre, corrupto e manietado pela partidocracia actual, sendo que este sistema e a crise económica se encarregarão de agudizar esta franja do eleitorado. E neste segmento ganhou o candidato José Manuel Coelho.
Finalmente, ganhou o cidadão Fernando Nobre. Não nas urnas, embora 600 mil votos, sem uma retaguarda montada, seja deveras assinalável e um feito notável. Este resultado permite-nos saber que à uma luz ao fundo do túnel. Permite-nos acreditar que, quando os cidadãos querem, conseguem. A cidadania ganhou terreno, porque os partidos vivem no mundo da Lua e não descem à Terra, não querem escutar uma sociedade que está esgotada e com isso trazem o deserto à sua volta. E então pode ter chegado o tempo de aparecerem projectos de ruptura, projectos de cidadania e sociedade, projectos verdadeiramente democráticos. Será que foi aberta uma nova caixa de “Pandora”? Os cidadãos têm a palavra e 2013 está para breve.

Novos sinais de abertura partidária!

Acho justo aqui assinalar, que esporadicamente vão aparecendo afirmações e ideias provenientes do interior dos partidos, que indiciam alguma insatisfação e necessidade de mudança.
Se é verdade que algumas vozes dentro do PS têm vindo a lançar ideias que vão de encontro ao que a sociedade exige, nomeadamente com a diminuição do número de deputados e a favor da regionalização, não é menos verdade que Passos Coelho também abriu essa porta. Recentemente ouvimos e bem, o líder do PSD defender a redução de deputados e a eleição de deputados pelas regiões (círculos uninominais), aceitando um principio que tenho vindo a defender à muito, onde coexistiriam, num parlamento com menos deputados que os 230 actuais, deputados eleitos pelos partidos e deputados eleitos pelas regiões. Esta é uma boa notícia vinda do PSD.
Mas falta muito mais. Para quando assumir que os votos em branco possam corresponder a cadeiras vazias no parlamento? Então, se o cidadão vai para a fila de voto e depois vota em branco, é porque nenhum candidato (ou partido) o satisfaz. Ora, não será democraticamente correcto que este voto corresponda a uma cadeira vazia? Para mim é. E mais, julgo que seria justo, que as subvenções financeiras estatais aos candidatos/partidos deviam ser reduzidas de forma proporcional à abstenção (por ex: com 53,7% de abstenção, os candidatos deveriam receber menos 53,7% do dinheiro).
Por outro lado, para quando assumir de uma vez por todas a implementação da regionalização, a bem, do País no seu todo? Esta reorganização administrativa do País, com a criação das autonomias regionais, semelhante ao que se passa com os Açores e a Madeira, é imperativa e deve estar associada a ajustamentos nas autarquias já existentes. Aqui, também é justo realçar o acordo que PS e PSD conseguiram no concelho de Lisboa, sobre uma nova organização territorial das suas freguesias, ao diminuírem de um pouco mais de 50, para 24 freguesias. Bem hajam.


José Henriques Soares
jhenriques1964@gmail.com

(www.forumdasregioes.blogspot.com e forumdasregioes@gmail.com)

Menos deputados, melhor Democracia?

O Fórum das Regiões concorda na generalidade com a opinião deste articulista do JN, apenas sublinhar que, óbviamente, a diminuição do número de deputados tem de vir associado a outras medidas que garantam a representatividade no Parlamento.
Portugal não precisa de 230 deputados. Isso é óbvio para qualquer pessoa que dedique uns poucos minutos por semana ao que se vai dizendo, fazendo e produzindo na Assembleia da República. Uma boa parte dos nossos parlamentares anda por ali a fazer figura de corpo presente. E não são apenas os da chamada segunda ou terceira linha; não faltam "notáveis", antigos barões ou ex-líderes partidários que se limitam a votar com o rebanho e, ocasionalmente, a debitar uma opinião, mais para as câmaras de televisão do que para o plenário. Reduzir permitiria, então, poupar alguns milhões, sem que as leis perdessem qualidade, sem fragilizar a democracia.
Mas se não precisamos de tantos deputados, é igualmente perigoso que se acantonem em apenas dois partidos. E reduzir o número de deputados, de 230 para 180, como propõem o PSD e o PS, sem introduzir outras alterações, teria como único resultado distorcer os resultados das eleições. O nosso Parlamento já não representa, de forma proporcional, as nossas escolhas, ao contrário, por exemplo, do Knesset de Israel. Sendo que a actual divisão de círculos eleitorais, conjugada com o método de Hondt, mais uma redução do número de deputados, teria como efeito principal varrer do Parlamento os partidos mais pequenos, ou seja o PCP, o BE e o CDS. Ainda que no conjunto continuassem a somar cerca de 30 % dos votos.
Ou seja, a vingar uma redução pura e simples, PS e PSD teriam um domínio ainda maior, uma espécie de vitória garantida na secretaria. Continuaríamos portanto a olhar para uma Assembleia da República cheia de deputados de segunda e terceira linhas, em amena cavaqueira com antigos barões e ex-líderes, que de quando em vez debitariam umas frases de efeito para os microfones. O trabalho parlamentar continuaria entregue aos poucos que agora o fazem, umas vezes melhor, outras pior. Poupavam-se uns milhões, perdia-se representatividade e diversidade. Ou seja, teríamos uma democracia mais pobre. O afastamento dos portugueses relativamente aos seus políticos seria ainda maior.
Se de facto o que se pretende é permitir que as escolhas dos eleitores contem para alguma coisa, então que se reduza o número de deputados, de acordo, mas que se introduzam novos tipos de círculos eleitorais, mais pequenos, aproximando eleitos de eleitores, e acrescentando um círculo nacional que garanta a proporcionalidade e a representatividade. E pelo caminho, se possível, dinamite-se essa triste figura da disciplina partidária, que serve apenas para garantir que se cumprem os caprichos dos vários chefes tribais.Acrescente-se que Portugal não precisa apenas de uma reforma eleitoral. São precisas pelo menos mais duas para que o país se modernize, para que a democracia se consolide, para que os cidadãos se sintam mais bem representados. Uma delas passa pela criação de uma plataforma intermédia, as regiões. E com elas fazer poupanças, por incrível que pareça. Porque entre comissões de coordenação, administrações regionais de saúde e de educação, direcções regionais de agricultura, governos civis, e outras coisas inúteis alegadamente desconcentradas, haverá campo de recrutamento suficiente e muita gordura de que nos podemos desfazer, para gerir melhor, de forma mais barata e com maior participação popular. E, finalmente, liquidar para cima de metade das freguesias e concelhos deste rendilhado Poder Local que, ou rapidamente encontra um novo rumo, ou se arrisca a ser citado apenas pelos casos de clientelismo, caciquismo e corrupção.
Rafael Barbosa
In JN

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TGV Porto-Vigo e portagens na A28 considerados "fracassos e dissabores"

O Fórum das Regiões volta aqui a frizar o quanto lamentável é, ter um gestor desta euro-reguião que é nomeado pelo governo, logo por muito que fale, não tem autonomia, e passar o testemunho desta presidência a quem de facto representa a região da Galiza, porque é eleito pelo seu Povo:
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte criticou hoje, segunda-feira, a "paralisia da alta velocidade" entre Porto e Vigo e a "forma deselegante" como decorreu a introdução de portagens na A28.
Falando na abertura da cerimónia de entrega da liderança da Comunidade de Trabalho Galiza - Norte de Portugal ao presidente da Junta da Galiza, Carlos Lage considerou que o TGV entre Porto e Vigo "foi e é uma das grandes apostas da euro região [Galiza/Norte de Portugal] que os altos e baixos da política, mas sobretudo das fraquezas da economia e das finanças públicas portuguesas, comprometeram".
Apesar de reconhecer que o adiamento da ligação foi "imposto por tempos adversos e por ideias anacrónicas", Carlos Lage considerou ter sido "uma dura decepção", mais ainda porque sonha "desde há cinco anos" com o projecto.
Para o responsável, "o Estado português tem de acertar e garantir com as autoridades espanholas" esta ligação, considerando tratar-se de uma "questão inadiável".
Carlos Lage defendeu que o projecto tem que ficar "previamente resolvido" para que não se depare com "dificuldades técnicas intransponíveis" quando for retomado.
"Eu não quer acreditar que, dentro de alguns anos, a península esteja cruzada em todas as direcções por um comboio do nosso tempo e que Portugal mantenha o arcaico e isolado sistema ferroviário do século XIX, de bitola ibérica", frisou.

foto LEONEL DE CASTRO/ARQUIVO JN
Carlos Lage

ASSIM É (VAI) A POLÍTICA INTERNA… LOCAL!

(IS THE POLITICS, STUPID!)
Há cerca de 15 dias, aqui neste mesmo espaço de opinião falei sobre o estado da política interna a nível Nacional. Desta feita, acho que vale a pena falar da política interna a nível Local, concretamente no nosso concelho de Paredes.

Hoje mesmo, quando circulava na Rua Campo das Laranjeiras, verifiquei que fora colocada uma placa em frente ao antigo pavilhão gimnodesportivo municipal onde estava escrito “DISCOTECA MUNICIPAL *****”. Ora, pensei eu cá com os meus botões, este Presidente de Câmara tem um espírito iluminado (!!!), alugou o espaço e vai montar aqui uma “disco” municipal para angariar uns cobres para o erário público (!!!), que bem precisa. Alguém ao meu lado disse logo de imediato, já tem nome e estão a tratar da placa para a inauguração “Discoteca Celso Gomes Ferreira”.

Pelo que ouvi, idêntica placa será colocada pelo município na nova e fantástica (?) Cidade Desportiva, cuja inauguração está aprazada para o mesmo dia, só que no caso a placa terá inscrito “Cidade Desportiva Celso Gomes Ferreira”.

Permito-me agora descansar os Paredenses, em relação a algumas dúvidas que lhes podem assaltar as mentes, nomeadamente sobre a construção, ou não, da já famosa “Cidade Inteligente”, na zona centro e sul do concelho. Certamente que daqui a 3 ou 4 anos, o executivo municipal e a administração da empresa municipal terão concluído esta promessa. Mas, segundo informações que correm por aí, o edil paredense já tem em carteira 2 alternativas, para a mesma zona territorial, caso falhe o projecto inicial. A primeira alternativa, reporta-se a um acordo firmado com a Ferrari para instalar no local a “Cidade Ferrari”, que não é mais do que ali construir o 2º Parque Temático da Ferrari, idêntico ao que existe nos arredores da cidade de Abu Dhabi. A terceira alternativa, caso as primeiras não tenham a devida consequência, prende-se com negociações avançadas entre a Câmara Municipal e a NASA para ali construir um centro espacial (similar ao centro espacial Kenedy) e uma base de lançamento foguetões para exploração espacial da série Endevour. Segundo informações que chegaram até mim, a terceira alternativa é aquela que colhe mais simpatia junto de Gomes Ferreira, pelo que este aguardará que as primeiras não vão avante.

Por falar na NASA, a Câmara Municipal de Paredes vai instalar em todos os edifícios um sistema de controlo de assiduidade ultra-sofisticado, que tanto pode funcionar por toque do dedo ou pelo olhar. Trata-se de um sistema utilizado, certamente, nas instalações da NASA ou da CIA e agora, o toque de classe de Gomes Ferreira, no Município de Paredes. Para quem não tem dinheiro para mandar reparar os sistemas de vigilância que algumas instalações municipais já possuem, é um bom esforço. Até parece que as dificuldades financeiras que a autarquia atravessa, é culpa dos seus funcionários e respectiva assiduidade! Mais uma decisão ignóbil.

Noutra latitude municipal, decorreram recentemente as eleições para a Fundação e Cooperativa “A LORD”. O Presidente da Câmara Municipal, Gomes Ferreira, necessitando da fundação para fins que não vêm aqui ao caso, procurou utilizar os seus “truques de magia” para mudar a atual direção daquela instituição que é uma referência da freguesia de Lordelo. Foi “varrido” para debaixo do tapete com uma derrota humilhante.

Agora, mais a sério, dia 23 vamos a eleições…

Ao fim de 36 anos de suposta democracia, o País está à beira da falência. Os responsáveis por tal, têm nome e rosto, porque foram eles que ao longo destes anos ocuparam as cadeiras do poder. Cavaco Silva, Mário Soares, Guterres, Barroso e Sócrates, tudo gente conhecida. Há alguns que ainda insistem em enganar os cidadãos (e estes deixam!!!), como o candidato Cavaco.
Mas, ao fim destes 36 anos, houve um cidadão que se ergueu para dizer basta a este estado de coisas. Basta, a um estado armadilhado por estes partidos caciquistas. Basta, a estes partidos prepotentes e que humilham o Povo. Agora temos uma alternativa de voto num cidadão. Este tem um nome e um rosto. Chama-se FERNANDO NOBRE. Votemos nele no próximo dia 23 de Janeiro. Com NOBRE Presidente, Portugal será diferente.

José Henriques Soares
jhenriques1964@gmail.com

Políticos vão receber mais 680 mil euros pelas presidenciais

Enquanto eu próprio e o Fórum das Regiões defendemos que os candidatos em causa deveriam receber menos 53,7% de dinheiro (tanto quanto a abstenção tida no ato eleitoral), o estado faz o favor de lhes dar mais um bónus. Bonito, não é?
O Estado vai pagar mais pelas despesas dos candidatos às eleições presidenciais, porque o financiamento das campanhas será feito com base no Salário Mínimo Nacional e não no Indexante dos Apoios Sociais, noticia hoje o "Correio da Manhã".
De acordo com o "Correio da Manhã", a diferença entre o cálculo das subvenções pelo Salário Mínimo de 2008 (426 euros) e não pelo Indexante de Apoios Sociais (419,22 euros) "não é significativa", mas só para Cavaco Silva, Fernando Nobre, Manuel Alegre e Francisco Lopes os gastos extra chegam aos 61 mil euros.
O cálculo com base no Indexante de Apoios Sociais está estipulado nas novas regras do financiamento dos partidos, aprovadas no final de 2010.

por DN.pt25 Janeiro 2011

Pecado Capital

Portugal continua a sustentar uma capital imperial, mesmo quando já não há império. Sem o velho imenso território, de Melgaço a Timor, a Lisboa centralista entretém-se hoje a colonizar o continente. O regime político vigente impõe-nos um modelo de desenvolvimento (?) monstruoso em que se sacrifica todo o território aos privilégios da corte.
Para alimentar este sistema, os portugueses são fustigados com mais e mais impostos, cujo primeiro objectivo é o de sustentar uma oligarquia imensa instalada na capital. Esta casta é constituída por membros de umas tantas famílias que se distribuem pelos cargos de alta direcção da Administração Pública. Ocupam, de forma rotativa, os postos que conferem maiores regalias. Estes "boys" de luxo saltam dos ministérios para o Parlamento, daqui para os tribunais superiores, pululam entre os melhores "tachos", usufruem de todas as vantagens.
À sua volta e para os servir, concentra-se um séquito de funcionários. Só nas imediações do Terreiro do Paço, num raio de três quilómetros, estão sediados cerca de 60 mil funcionários públicos, distribuídos pelos mais diversos serviços governamentais. Estranhamente, há ainda milhares de empregados do Estado em ministérios cujos serviços estão descentralizados, como a Saúde ou a Segurança Social. Há até funcionários do Ministério da Agricultura que vivem em Lisboa e nunca devem ter visto uma couve. Mas a situação mais bizarra sente-se na Educação, onde mais de mil milhões de euros do respectivo orçamento são derretidos no gabinete ministerial.
E tudo isto, ao mesmo tempo que fecham escolas na província. Mas não só. Enquanto no Norte o desemprego cresce sem parar e o Interior se desertifica, ao mesmo tempo que pelo país encerram escolas, tribunais e serviços de saúde - na capital, todos os investimentos e esbanjamentos são possíveis, todos os pecados são permitidos: mais auto-estradas, expansão do metropolitano, nova travessia do Tejo, mais um aeroporto, novos teatros e museus...
Na capital não há limites, nem para a imaginação, nem para gastos incomensuráveis. Lisboa continuará a absorver todos os recursos do país.
Até quando vamos admitir este saque?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O relógio de cuco

O analista Fernando Sobral, faz neste seu artigo de opinião, uma avaliação muito sóbria do que resultou das presidencias. Fala, entre outras coisas de "explosiva frustração" e na eventual "constipação desta democracia". O futuro o dirá.
No seu grande solilóquio em "O Terceiro Homem", Orson Welles dizia que a Renascença, as guerras e os envenenamentos tinham permitido o surgimento de Michelangelo e de Leonardo Da Vinci.
Na Suíça, pelo contrário, 400 anos de paz criaram o relógio de cuco. Em Portugal chegámos ao fim de um período de paz podre. A eleição de Cavaco Silva inicia um novo ciclo político, típico de um país que não nada em prosperidade. A elite vai entreter-se a discutir se Sócrates sobrevive à crise financeira e se teremos eleições antecipadas e um novo Governo, fruto da união de esforços entre Passos Coelho e Paulo Portas.
Mas estas presidenciais destaparam a caixa de Pandora. As votações de Fernando Nobre e de José Manuel Coelho mostram que há um eleitorado que já não se revê na árvore das Patacas de interesses que alimentam este regime. A crise económica só alargará essa franja excluída, principalmente a nível dos mais jovens. Se Nobre, fascinado pela sua "vitória", poderá ser tentado por um salto mortal: entrar a sério na política. Onde a ética servirá como guarda-chuva de todas as ambições. José Manuel Coelho é outro caso: foi um voto de protesto e não apenas na Madeira. Ficou aberta uma janela que poderá constipar esta democracia. Se os partidos políticos não descerem à Terra, e não escutarem uma sociedade esgotada e desencantada, arriscam-se a criar um deserto à sua volta, onde poderão florir projectos de ruptura radical com o sistema. O tempo das horas incertas chegou. No Portugal da paz podre não nascem relógios de cuco nem Da Vincis. Cresce uma explosiva frustração.


Fernando Sobral
fsobral@negocios.pt
25 Janeiro2011

sábado, 22 de janeiro de 2011

Campos e Cunha diz que o problema de Portugal é "político"

Para o "Forum das Regioes" este é o eterno problema dos políticos ou de quem em determinado momento exerce essa função pública. Quando lá estão, não defendem claramente as mesmas posições. Valha a verdade, que Campos e Cunha esteve pouco tempo "em jogo".
O FdR defende a mesma opinião que CC, de que os votos brancos deveriam significar cadeiras vazias na Assembleia da República e que qualquer votação em que houvesse mais de 50% de abstenção deveria ser inválida e não deveria ser objeto de subvenção financeira por parte do estado. Já quanto ao facto, da classe política ser mal paga, essa é uma matéria muito discutivel e que daria para outro fórum, mas ao olhar para o estado do País!!!

O ex-ministro das Finanças Campos e Cunha defendeu esta noite que o problema de Portugal é "político" e que é necessário alterar as regras dos partidos.

"Os nossos problemas económicos, o nosso beco sem saída, são resultantes das regras políticas", avalia Luís Campos e Cunha, defendendo a alteração das regras do sistema político e do financiamento dos partidos, que vivem numa "situação de quartelização.
Nos "Diálogos com a Ciência", uma organização da Universidade do Porto, o ex-ministro das Finanças do governo de José Sócrates referiu a existência de "várias tentativas" falhadas para criar "regras de financiamento dos partidos". "Outra forma de evitar a entrada no mercado da política é pagar mal. Se entrassem pessoas muito boas, eles [os políticos] estariam em causa", defendeu o também ex-vice-governador do Banco de Portugal, referindo que "quando se paga amendoins, obtém-se pessoas de má qualidade". Para o economista, "o financiamento dos partidos deve ser exclusiva ou basicamente público", considerando que "sai caro, mas a alternativa são os lobbies, o compadrio, os favores". "Prefiro pagar bem a um ministro, porque sai muito mais caro se pagar mal", afirmou Campos e Cunha, que defendeu que os gestores das empresas públicas deviam "passar por um escrutínio: não uma discussão política, mas uma discussão técnica".
No encontro para debater o estado da economia nacional, o ex-ministro defendeu que "o voto em branco [nas eleições] devia valer", porque "uma pessoa que vai de manhã para a fila, gosta da democracia e vai lá para dizer que não gosta de nenhum partido e haveria cadeiras vazias no Parlamento". "Era uma maneira de introduzir concorrência neste mercado", disse, acrescentando que "o sigilo bancário para os partidos é ridículo".
Nos "Diálogos com a Ciência", Campos e Cunha rejeitou a ideia de que Portugal possa vir a sair do euro: "Nem o euro está em perigo nem Portugal precisa de sair do euro nem pode ser expulso." Segundo Campos e Cunha, "se o euro desaparecesse, era uma bagunça gigantesca, a anarquia total, e se Portugal [deixasse a união monetária] era o colapso dos bancos e do sistema financeiro português".
14 Janeiro 2011 07:55
Lusa